Estão em Moçambique 4000 ruandeses opositores de Paul Kagame

Estão neste momento em diferentes partes de Moçambique, 4000 refugiados ruandeses, muitos dos quais são tidos como oponentes do presidente ruandês Paul Kagame, que recentemente esteve no país, concretamente em Cabo Delgado, como convidado de honra do Presidente Filipe Nyusi, para as celebrações de 25 de Setembro, dia do inicio da Luta de Libertação Nacional.

Os Ruandeses em Moçambique temem que, as perseguições e assassinatos dos seus conterrâneos no país, sejam parte do acordo entre os Presidentes Paul Kagame e Filipe Nyusi, para fornecer tropas que estão a actuar em Cabo Delgado, no combate contra o terrorismo.

Segundo o presidente da Associacao de refugiados Ruandeses em Moçambique, Cleophas Habiyareme, um dos acontecimentos que assusta este grupo é a morte a tiros perto da sua residência na Matola, a 13 de setembro do corrente ano, do empresa ruandês, Revocant Karemangingo.

O empresário que era também vice-presidente da Associação de Refugiados Ruandeses em Moçambique, foi baleado quando saia da farmácia após ter sido interceptado por três veículos que crivaram-lhe balas.

Karemangingo foi acusado de financiar a oposição Ruandesa e foi alvo de uma tentativa fracassada de assassinato contra ele em 2016.

Uma outra situação de susto, deu-se em Maio deste ano, quando Cassien Ntamuhanga, um jornalista ruandês foi raptado em Inhaca, cidade de Maputo, por oito indivíduos que se diziam agentes da polícia moçambicana, acompanhados por um homem que supostamente era um funcionário ruandês.

“Ele não foi visto desde então, e acredita-se que ele foi entregue à embaixada de Ruanda, então não está claro se ele está vivo ou morto e se ele foi enviado para Ruanda”, disse Cleophas Habiyareme.

O jovem jornalista estava exilado em Moçambique desde 2017 e já tinha recebido o status de refugiado oficial.

Em 2012, o ex-chefe do Banco de Desenvolvimento do Ruanda, Théogène Turatsinze, foi encontrado morto em um rio perto de Maputo e em 2019, Louis Baziga, então chefe da comunidade ruandesa em Maputo, foi assassinado na Matola.

Cleophas Habiyareme disse ainda que em agosto houve uma tentativa fracassada de sequestro do secretário da associação e de seu irmão.

Entretanto, ainda esta semana, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados pediu uma investigação rápida e completa sobre o assassinato de Karemangingo e que os assassinos fossem responsabilizados.

Por sua vez,  o Centro para Democracia e Desenvolvimento (CDD), uma organização não-governamental moçambicana promete interceder junto da SADC para apresentar a situação dos ruandeses em Moçambique.

Para o ativista e diretor-geral do CDD, Adriano Nuvunga, os homicídios, raptos e ameaças de que os ruandeses se queixam em vários países africanos, com destaque agora para Moçambique, precisam de uma investigação urgente e séria por parte das organizações internacionais.

O CDD, que prometeu escrever uma carta para a SADC, pretende lançar uma campanha para alertar as entidades de direito sobre a situação dos ruandeses que se queixam de perseguição.

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