Mais um naufrágio: Dois mortos, seis desaparecidos e quatro sobreviventes em Caia-Sofala

Horácio João

Pelo menos duas pessoas morreram, seis desapareceram e outras quatro sobreviveram, na sequência do naufrágio nesta segunda-feira de uma embarcação artesanal, vulgarmente conhecida por canoa, no rio Zambeze, na área de jurisdição do distrito de Caia, província de Sofala.

O administrador daquele distrito, Nobre dos Santos, disse à Reportagem da Revista ÁGORA que o acidente ocorreu devido a superlotação da canoa, sendo que das oito vítimas mortais seis são crianças e dois adultos.

Das oito pessoas que morreram neste naufrágio, três corpos já foram recuperados da água, das quais uma vítima logo pela manhã de hoje, terça-feira, que vista a flutuar.

A embarcação em alusão transportava, na globalidade, 12 passageiros, sobretudo camponeses, que pretendiam visitar os seus campos agrícolas, concretamente na ilha de Moto, atravessando o “Grande Zambeze”, quando naufragou a cerca de 6.00 horas.

Até manhã desta terça-feira, cinco pessoas que figuram entre as mortes ainda continuam desaparecidas, mas as operações de busca prosseguem, através de uma embarcação a motor fora de bordo sob responsabilidade de técnicos do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) e força da Marinha de Guerra, conforme declarou a nossa fonte.

O acidente de Caia acontece uma semana após a maior tragédia marítima de Nampula, onde um barco de 130 pessoas também naufragou, provocando a morte de, pelo menos, 98 almas.

Segundo as autoridades marítimas baseadas naquela zona norte do país, a referida embarcação de pesca não estava autorizada a transportar passageiros nem tinha condições para o efeito, sendo que o respetivo proprietário foi detido e o marinheiro figura entre as mortes.

As vítimas alegavam então que fugiam a um surto de cólera no continente, com destino à Ilha de Moçambique, tendo o naufrágio acontecido a cerca de cem metros da costa.

Por este motivo, o Conselho de Ministros decretou Luto Nacional de três dias, cuja tragédia resultou numa solidariedade internacional, com vários países a emitir mensagens de conforto às famílias das vítimas e do povo moçambicano, em geral.

O Chefe do Estado, Filipe Nyusi, entretanto, fez-se ao terreno embora tardiamente, tendo, por isso, sido alvo de duras críticas pela parte da sociedade, como académicos, políticos e organizações humanitárias.

Neste naufrágio, que chocou o país e ocorreu em pleno domingo de 7 de Abril, Dia da Mulher de Moçambique, duas vítimas ainda continuam desaparecidas e outras 30 sobreviveram, sendo que algumas delas continuam no leito hospitalar.

Porém, o Governo condenou a desinformação sobre a propagação da cólera no Posto Administrativo de Lumbo, distrito de Mossuril, em Nampula, o que precipitou esta retirada em massa para outros locais, mormente por via marítima.

A comunidade de Lumbo justifica-se que tal se deveu a falta de serviços básicos no terreno, nomeadamente unidade sanitária e fontes do abastecimento de água potável, onde as vias de acesso se apresentam igualmente em acentuada degradação na plataforma, dificultando sobremaneira a livre circulação de pessoas e bens.

Com esta ausência total das infraestruturas públicas, o Presidente Filipe Nyusi prometeu a implantação destes serviços a curto, médio e longo prazos para reduzir os atuais elevados índices de pobreza extrema que grassam Lumbo.

 

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