O impacto da tensão entre Rússia e Ucrânia no preço dos combustíveis

Desde o dia 24 de fevereiro de 2022, tropas russas têm avançado pelo território da Ucrânia, bombardeando cidades e construções históricas, ocasionando a morte de centenas de pessoas e provocando a fuga de milhares de ucranianos, especialmente mulheres e crianças, para os países vizinhos. 

Petróleo pode chegar a 150 dólares o barril, devido ao agravamento do conflito geopolítico e pressionar ainda mais os preços da gasolina, do diesel e do etanol

Nos últimos dias, a ameaça de invasão da Rússia à Ucrânia vem se agravando e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, já mostrou que não vai recuar às ameaças do Ocidente. Enquanto o Reino Unido e os Estados Unidos cercam o país com sanções e os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) tentam dissuadir Putin de planos mais agressivos, os combustíveis sobem no mercado internacional.

A Rússia é o terceiro maior produtor de petróleo mundial e, hoje (17 de Março), o barril do petróleo tipo Brent ultrapassou o patamar dos 115 dólares, no que foi a oitava semana consecutiva de escalada de preços e na maior alta desde 2014. A cotação do produto vem sendo afetada pela retomada da economia mundial, causando excesso de demanda frente à demanda, devido aos baixos estoques da  Opep+ Mas, o agravamento dos conflitos geopolíticos vem pressionando ainda mais a commodity nos últimos dias.

A expectativa dos analistas é que o agravamento da tensão entre a Rússia e a Ucrânia e o aumento da produção de petróleo pela Opep+ insuficiente frente à demanda mundial continuarão provocando uma subida de preços.

 

A guerra na Ucrânia

A Ucrânia ganhou o status de país independente quando a União Soviética foi extinta, em 1991. A Rússia, no entanto, sempre procurou manter forte influência no país vizinho, com quem divide laços históricos e culturais. Ao longo da década de 90, e especialmente a partir dos anos 2000, começou a ganhar força a ideia de incluir a Ucrânia na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

O grupo é uma aliança militar formada durante a Guerra Fria, quando Estados Unidos e União Soviética estavam em lados opostos do tabuleiro geopolítico. Na prática, o pacto estabelecia que, se algum país da OTAN fosse atacado pelos soviéticos, todos os outros viriam lutar em seu socorro. A Guerra Fria acabou, mas a OTAN permaneceu em funcionamento.

Outra demanda do povo ucraniano era a entrada do país na União Europeia, que lhes garantiria oportunidades de trabalho, de estudo, entre várias outras vantagens econômicas. No fim de 2013, a Ucrânia chegou perto de integrar o bloco econômico europeu, mas por influência da Rússia, as negociações foram interrompidas. Isso gerou um levante popular que culminou na renúncia do presidente da época.

Em resposta, a Rússia ocupou a Crimeia e deu apoio a grupos separatistas do leste do país. As tensões foram escalando, e diante da aproximação dos ucranianos à União Europeia e à aliança militar liderada pelos Estados Unidos, Rússia decidiu este ano pela invasão do território ucraniano, levando a Europa a seu pior ataque militar desde a Segunda Guerra Mundial.

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