Senegal terá duas primeiras damas

Diomaye Faye é o 5º presidente da história do Senegal, eleito no último domingo. Durante a campanha eleitoral, o político apareceu acompanhado pelas duas esposas, Marie Khone Faye e Absa Faye, uma novidade para um Presidente senegalês.

Nascido a 25 de Março de 1980, pai de quatro filhos, Faye é muçulmano praticante e surge como a encarnação de uma nova geração de políticos no poder, naquele país.

A pergunta que é levantada no seio dos senegaleses é qual das duas ocupará o cargo de primeira-dama? Marie Khone Faye que é a primeira esposa ou Absa Faye a segunda?

Para a pan-africanista Nathalie Yamb, citada pela imprensa senegalês, a função da primeira-dama não existe na Constituição ou em qualquer outro texto senegalês. Não há primeira, segunda ou vigésima senhora. Há o(s) cônjuge(s) do Presidente da República.

Aos olhos da lei, são cidadãos comuns. O termo “1ª dama” é, portanto, um nome popular, não só na África, mas em todo o mundo.

Bassirou não será nem o primeiro nem o último chefe de Estado a ter duas ou mais esposas oficiais, dando o exemplo de Jacob Zuma, o ex-presidente da África do Sul que tem várias esposas. “A mulher que o acompanha será descrita como “primeira-dama” e, se ele estiver acompanhado por ambos, serão “as primeiras-damas”.

Entretanto, em Abril de 2023, Diomaye Faye foi indiciado e preso por desacato ao tribunal, difamação e actos susceptíveis de comprometer a paz pública, segundo um dos advogados, depois da difusão de uma mensagem crítica contra a justiça nos casos Sonko. Em Julho, Ousmane Sonko também foi detido, acusado de “apelar à insurreição”.

Depois do líder da oposição Ousmane Sonko ser afastado da corrida presidencial, Sonko indicou Faye para prosseguir o seu projeto de “mudança”.

O candidato eleito destaca-se pelos seus valores pan-africanos, o desejo de preservar a soberania do país, de distribuir a riqueza de forma mais justa e de reformar uma justiça que considera corrupta.

Uma figura disconhecida que nunca tinha ocupado nenhum cargo até ao momento, Diomaye Faye manifesta-se contra um sistema excessivamente presidencialista.

Promete renegociar contractos petrolíferos e de pesca e diz não ter medo de abandonar o franco CFA, mostrando vontade de criar uma nova moeda nacional, medida que o adversário Amadou já tinha denunciado como um “absurdo” económico.

O projecto de acabar com a corrupção é apoiado pelos senegaleses nas redes sociais, bem como a sua declaração de bens tornada publica no último dia de campanha como forma de mostrar total “transparência”.

Diomaye Faye nasceu numa família modesta de agricultores, passou o concurso de ENA (escola nacional de administração) no Senegal.

Depois de votar no domingo, Diomaye Faye apelou a um “regresso definitivo à serenidade” no Senegal “que tem sido gravemente perturbado” nos últimos anos.

Senegal tem uma taxa de desemprego que rondar os 20%, com a pobreza no país e a perseguição a opositores, os eleitores decidiram que é tempo de virar a página.

Macky Sall vai sair da Presidência após completar os dois mandatos previstos na Constituição.

 

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