União Africana pede perdão dos cerca de 696 mil milhões de dólares da dívida pública do continente

Os países africanos devem 696 mil milhões de dólares (cerca de 651 mil milhões de euros) – um aumento de cinco vezes face ao início do milénio, com 12% desse valor a ser devido a credores chineses, segundo um estudo do Instituto Real de Assuntos Internacionais do Reino Unido (Chatham House).

O Chefe de Estado das Comores, Azali Assoumani, novo Presidente da União Africana (UA), em substituição do senegalês Macky Sall, pediu no seu primeiro discurso, operdão da dívida pública do continente para fazer face aos impactos da invasão da Ucrânia e às consequências da pandemia.

“Pedimos o cancelamento total da dívida africana para fazer face à crise na Ucrânia e à recuperação da covid-19”, afirmou Azali Assoumani, reafirmando a necessidade de acelerar a zona de livre-comércio no continente.

Acrescentou: “A crise entre a Rússia e a Ucrânia mostrou-nos que África tem de procurar a soberania e resiliência alimentar”.

De 64 anos, o novo líder da UA defendeu a necessidade de se acelerar a zona livre comércio de África e uma solução aos problemas de segurança.
para que haja uma zona de livre-comércio de sucesso, é necessário, resolver os problemas de autossuficiência, os problemas de segurança e o impacto das alterações climáticas”.

Entretanto, a análise da Chatham House mostra que a China está a mudar a interação com os países africanos, tendo colocado um forte travão aos desembolsos, que passaram de 28,4 mil milhões de dólares em 2016, para 8,2 mil milhões em 2019 e apenas 1,9 mil milhões de dólares em 2020, durante a pandemia.

A crise da dívida que afeta os países africanos tem motivado um intenso debate entre os académicos, bancos multilaterais, analistas e investidores. Vários observadores defendem que o nível atual do rácio da dívida face ao PIB, entre os 60 e os 70%, é insustentável.

Os analistas têm em conta a subida das taxas de juros pelos bancos centrais ocidentais e o aumento da inflação nomeadamente nos bens alimentares e energéticos, que se junta ao elevado preço que os investidores cobram para emprestar dinheiro aos países africanos, percecionados como mais arriscados em termos de credibilidade dos pagamentos.

Para o Presidente da Uniao Africana, “Sem resolver o problema da dívida não é possível termos sucesso”.

Azali Assoumani agradeceu ao Quénia ter recuado na sua candidatura à liderança da organização e elogiou o trabalho do seu antecessor, o Presidente do Senegal, Macky Sall.

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