Fabião Mabunda: Interrogatório mais intenso e marcado por depoimentos contraditórios.

Está sendo o interrogatório mais longo desde o inicio do julgamento, com pouca intervenção do juiz, que deixou o palco para o Ministério Público.

Prossegue o julgamento do Réu Fabião Mabunda que iniciou nas primeiras horas da manhã, um processo que lesou o Estado em 2,2 mil milhões de dólares. O interrogatório é marcado por contradições nas informações fornecidas por réu Mabunda.

O réu Fabião Mabunda admitiu ter recebido dinheiro da Privinvest, no âmbito do projecto da protecção da zona económica exclusiva de Moçambique. São cerca de 8.9 milhões de dólares que o réu recebeu na sequência deste projecto.

Mabunda disse que o valor que recebeu da Privinvest é referente aos contratos de empreitada, assinado com o grupo, mas que não chegaram a se concretizar. Durante o interrogatório a magistrada do Ministério Público, Sheila Marrengula confrontou o réu com alguns documentos bancários que revelam que os valores que recebeu da Privinvest não foram devolvidos, mesmo sem a concretização dos contratos.

Num outro desenvolvimento, o réu Fabião Mabunda disse que foi ameaçado no interrogatório feito na Procuradoria Geral da República, pelo que, nessa ocasião, confirmou conhecer o co-réu Sidónio Sitoe.

Acrescentou que pode ter confirmado que conhecia Sidónio Sitoe porque o procurador dizia que iria constituir arguida a sua esposa. “Qualquer homem que se preza, por tão malandro que seja, faz de tudo para proteger a sua família”, disse

Em vários momentos o réu mostrava contradições nas suas afirmações. Disse ao tribunal que só conheceu o co-réu Sidónio Sitoe na cadeia, depois que ambos foram presos. Entretanto, a representante do Ministério Público confrontou-o com um depoimento anterior, constante do processo, no qual Fabião disse que tinha sido ele a subcontratar Sidónio Sitoe, o que demonstra que há uma ligação entre ambos.

Em sede do tribunal soube-se que a empresa representada pelo advogado Alexandre Chivale, “Txopela”, enviou cerca de três milhões de dólares a M. Moçambique  Construções, detida pelo réu Fabião Mabunda, que este último não soube explicar o motivo pelo qual o valor lhe foi enviado e para que fins.

A “Txopela” é  uma empresa que funciona como uma subsidiária do Grupo Privinvest em Moçambique, tendo como administrador o advogado Alexandre Chivale constituído por parte dos co-réus neste processo.

Alexandre Chivale defende Armando Ndambi Guebuza, filho do antigo Presidente da República, Inês Moiane, secretária particular do ex-Presidente Armando Guebuza na Ponta Vermelha, e o seu irmão, Elias Moiane. Defende também o ex-oficial dos Serviços de Informação e Segurança do Estado (SISE), António Carlos do Rosário.

No total são 19 réus que estão pronunciados da autoria moral e material de 93 crimes, nomeadamente Bruno Tandane Langa (17 crimes), Armando Ndambi Guebuza (13), Teófilo Nhangumele (12), António Carlos do Rosário (8), Gregório Leão (6), Ângela Buque Leão (5), Maria Inês Moiane (5), Manuel Renato Matusse (4), Cipriano Mutota (4), Fabião Salvador Mabunda (3), Sidónio Sitoe (2), Khessaujee Pulchand (2), Simione Mahumane (2), Naimo Quimbine (2), Sérgio Namburete (2) e Elias Moiane (2), Crimildo Manjate (1), Mbanda Henning (1), Márcia Caifaz Namburete (1) e Zulficar Ahmad (1).

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