Filipe Nyusi: Ainda não estamos a celebrar victórias em Cabo Delgado

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, afirmou hoje (25 de Setembro), em Pemba, que o seu governo ainda não está a celebrar victórias sobre o combate ao terrorismo na província de Cabo Delgado. “Acredito que nem Ruanda está a cantar sucessos, sobretudo porque temos o conhecimento do inimigo que estamos a enfrentar”, reiterou o Presidente.

O Presidente da República, falava numa conferência de imprensa conjunta com o Presidente do Ruanda, Paul Kagame, que se encontra no país desde ontem (23 de Setembro), como convidado de honra nas  celebrações de 25 de Setembro, data que marcou o inicio da Luta Armada contra o colonialismo Português.

Filipe Nyusi disse que o seu Governo está a abordar o inimigo em fases, de acordo com os problemas que vão surgindo em cada momento. Estamos numa fase de sucesso sim, mas não estamos a cantar. Libertamos das mãos dos terroristas a vila da Mocimboa da Praia, com o apoio dos nossos Irmãos do Ruanda. Consolidamos a vila de Palma, atacamos as bases principais”, disse o Chefe do Estado, acrescentando que faz questão de mostrar ao mundo os resultados alcançados.

Encontra-se na Província de Cabo Delgado, jornalistas de diferentes órgãos de comunicação nacionais e estrangeiras, que visitaram as zonas recuperadas das mãos dos terroristas. “Estão aqui jornalistas de diferentes partes do mundo, o que prova que nunca negamos a presença da imprensa, mas sim,temos cautelas porque são zonas de fogo”.

Como quem estivesse a mandar recados, Filipe Nyusi disse que algumas vozes diziam que o Governo está a mandar regressar as populações deslocadas à sua proveniência, isso não é verdade. Estamos cautelosos, estamos a limpar e a preparar as pessoas que desejam regressar e é um processo que vai levar seu tempo”, explicou.

Questionado sobre a demora no pedido de apoio internacional para combater o terrorismo em Cabo Delgado, Filipe Nyusi explicou que não se podia pedir ajuda para combater um fenómeno até então desconhecido. “O primeiro ataque foi em 2017, mas nós já liamos sinais estranhos desde 2012, sobretudo em Mocímboa da Praia. Por isso, se exigiu da nossa parte uma ponderação, uma inteligência suficiente para percebermos o que era esse fenómeno”.

Disse que naquela altura, se tivéssemos dito venha Ruanda, venha Egipto, venha Zimbabwe, venha França, estaríamos numa situação de não sabermos vem fazer o quê”, detalhou o Chefe de Estado.

De acordo com Filipe Nyusi, nessa altura, estava-se ainda no processo da prospecção do petróleo. “A situação exigiu da nossa parte uma ponderação e suficiente inteligência para percebermos o que era esse fenómeno”, explicou, acrescentando que depois de perceber, o governo abriu Espaço para apoios.

Segundo Nyusi todo este processo levou o seu tempo. “Nós sentimos uma pressão externa e interna sobre o que deveríamos fazer, até vozes que diziam que estes não querem fazer isto e aquilo, mas não é porque não queríamos, precisávamos de nos organizar para fazer bem, porque se as coisas saírem mal, toda a responsabilidade vai recair sobre nós”, desabafou.

O estadista explicou que quando diz que é relativo dizer que o governo atrasou a intervir é porque o governo precisava de se organizar. “Precisávamos de ter informação sobre como é que o inimigo age, e a recolha dessa informação contou com a ajuda de países amigos, não só de africanos. Por isso, não foi tarde, mas agimos no momento oportuno”.

O Ruanda enviou em julho deste ano, mil militares e polícias com equipamento e armas para a província nortenha de Cabo Delgado, sendo que no início de agosto era anunciada a reconquista de Mocímboa da Praia, vila portuária há um ano tomada por rebeldes.

Sobre o reatar dos projectos de gás em Cabo Delgado, o Presidente disse que esse é o desejo de todo o mundo que quer prosperar. Os projectos naquela zona timidamente continuaram e outros pararam devido a situação de ataques, mas tudo indica que vão continuar, porque as empresas não deixaram de operar por vontade própria”, assegurou Filipe Nyusi, para quem ninguém gostaria de perder a oportunidade de explorar o que aquela zona tem.

O Estadista moçambicano fez saber que a Total teria garantido que não estavam a desistir do projector, mas sim a proteger vidas que corriam risco. Se tiver controlada a situação voltaremos”, disse Filipe Nyusi que acredita que esse dia chegará.

Colaboração tem que continuar

Já o Presidente ruandês, Paul Kagamé diz que colaboração com forças moçambicanas tem que continuar e agradeceu à força conjunta por ter conseguido libertar “as zonas que estavam nas mãos de terroristas em Cabo Delgado” e disse que outra tarefa se aproxima, discursando em suaíli, uma das línguas oficiais do Ruanda.

“Começa outra tarefa. Já conseguimos libertar aqueles sítios” onde reinava insegurança. “A tarefa que agora se vai iniciar é a de manter seguras as zonas já libertadas para permitir a reconstrução e o regresso das populações”, afirmou o Presidente ruandês.

Os colegas moçambicanos “vão ficar à frente e mostrar como” se pode “guarnecer aquelas zonas”, acrescentou.

“Temos de continuar a colaboração com os colegas moçambicanos”, reiterou, sublinhando a situação de famílias que perderam tudo e precisam que a reconstrução avance, mas sem falar da extensão da missão do Ruanda ou abordar outros detalhes.

O chefe de Estado ruandês deixou uma palavra para “outros países” que também estão no terreno – numa referência à missão militar da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), assinalando que o Ruanda foi um dos que recebeu a solicitação para “trabalhar em conjunto, para libertar as zonas sob controlo dos terroristas”.

Paul Kagame  participou como convidado de honra, nas celebrações do 25 de setembro, Dia das Forças Armadas de Defesa de Moçambique.

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