Moçambique tem tudo para vencer, diz Presidente Nyusi

O Presidente da República, Filipe Nyusi, considera que Moçambique reúne tudo para vencer, desde que saiba explorar os recursos minerais e energéticos que o país dispõe em benefício de seu povo e gerações vindouras.

O Chefe de Estado manifestou esta convicção minutos após a assinatura de três acordos, nomeadamente uma para a produção de energia eléctrica, para o transporte de energia e o último para a produção de Gás de Petróleo Liquefeito (GPL) na província meridional de Inhambane.

“A verdade é que Moçambique tem tudo para vencer, sendo os recursos minerais e energia uma fonte de riqueza que devemos estrategicamente saber explorar para o beneficio de todos e das gerações vindouras”, observou.

Para o efeito, Nyusi lançou alguns desafios estratégicos a ter em conta, entre os quais a necessidade de sincronização dos planos de geração de energia estruturante que contempla novas hidroeléctricas, gasodutos e terminais de gás com a real dimensão da procura, especialmente na região da SADC, num temporal mais longo.

“Não pretendemos elefantes brancos, nem endividamento sem capacidade de reembolso”, advertiu.

Apontou os compromissos internacionais no âmbito de corte de emissões de carbono que, segundo o estadista, deverão acelerar o processo de pesquisa de novos campos, considerando ser crucial tendo em conta a evolução da tecnologia no campo de energias renováveis.”

No âmbito do acordo de partilha de produção, Nyusi disse que a exportação da energia deverá se efectivar, tal como o gás, tomando em conta `o excesso nas necessidades domésticas.

“No mesmo âmbito, é estratégico o exercício da opção de entrada da ENH (Empresa Nacional de Hidrocarbonetos) como concessionária e representante do Estado até 30 por cento do capital”, frisou.

O Presidente da República reconheceu o valioso contributo dos parceiros na materialização dos projectos, hoje lançados, vincando que são resultado do compromisso e financiamento do Banco Mundial, dos EUA e da Noruega.

“O governo, em nome do povo moçambicano, agradece o empenho e a confiança”, sublinhou Nyusi, prometendo que serão cumpridas as metas acordadas dentro dos prazos.

“Nós, os moçambicanos, temos a consciência de que acreditam em nós e vamos honrar os investimentos direccionados ao nosso país”, reiterou.

Recordou que Moçambique é detentor de um potencial e uma diversidade de recursos renováveis, nomeadamente a solar, eólica, hidroeléctrica, biomassa, geotérmica e oceânica, todos ainda muito pouco explorados, reconhecendo porém haver esforços para a sua exploração.

Por outro lado, disse que se regista uma nova dinâmica impulsionada pelo aumento da população e crescimento de vilas e cidades e industrialização do país, bem como da necessidade de optimizar a posição de Moçambique como um pólo energético na região da SADC.

“É com base nesses dois factores que temos registado o interesse e empenho de investidores credíveis no espaço energético, assim como a mobilização de financiamentos dos nossos parceiros de cooperação aos projectos de geração de energia”, afirmou.

Apontou ainda, o recente lançamento da primeira pedra para a construção da linha de transporte de Chimuara a Alto Molócué, de 400 quilowatt, em Março do ano corrente.

“No quadro da diversificação da nossa matriz energética, inauguramos o projecto de energia solar de Mocuba, com capacidade de 40 megawats, em 2018, na província da Zambézia; estão em progresso as obras da Central Solar de Metoro (Cabo Delgado), também com capacidade de 40 megawats, com a conclusão ainda prevista para este ano”, enumerou.

No rol dos projectos em curso, Nyusi destacou o concurso para a adjudicação da Central de Dondo (em Sofala), que se acresce o futuro desenvolvimento do projecto de gás da Bacia do Rovuma, especialmente o que vai ser executado em terra, que também contempla o fornecimento de gás para o mercado doméstico.

“Os objectivos dessa geração de energia comporta um aumento de 600 megawats, durante esse quinquénio, tendo por base uma matriz energética diversificada que alivie a capacidade de hidroeléctrica de Cahora Bassa, aumentando gradualmente o contributo de gás e das energias renováveis”, resumiu.

Nyusi considera que a cerimónia havida hoje constitui uma nova etapa no quadro desta empreitada de iluminar Moçambique.

“Como fiz referência, o empreendimento integrado de gás de Inhassoro e de geração de energia combina diversos pilares da nossa estratégia de desenvolvimento económico”, afirmou

Citou como exemplo a construção de infra-estruturas de energia que contempla a geração de energia através da central térmica de Temane para uma produção de 450 megawats que aumenta a disponibilidade e oferta de energia com um alicerce para a actividade agrícola, industrial, turismo e outros.

Apontou ainda a linha de transmissão que se associa à central de Temane e liga aquele ponto a Maputo, garantindo melhor qualidade, fiabilidade e criação de capacidade de reserva por via de redundância no fornecimento de energia eléctrica.

“Essa nossa visão concorre para o desiderato sobre o programa ‘Energia para Todos’, que se traduz no acesso energia para as famílias e industrias moçambicanas ate 2030”, sustentou.

A esse propósito apontou também a extracção de recursos naturais e transformação dentro do país, permitindo a industrialização e substituição das importações de gás para a cozinha e redução do défice interno, bem como propiciar melhor sustentabilidade do ecossistema e ainda o reforço do posicionamento de Moçambique neste contexto como um pólo energético na região.

Nyusi manifestou igualmente o reconhecimento à petroquímica sul-africana, Sasol, que, como concessionaria dos campos de gás e ao mesmo tempo parceiro da EDM no projecto de geração de energia, “foi crucial na procura de uma solução que viabilizasse o projecto.”

“Não é para menos, tendo em consideração que o acordo de concessão foi assinado em 2000. Isso, 21 anos depois, conseguimos a materialização deste empreendimento na sua complexidade ideal”, disse.

Saudou igualmente os parceiros de desenvolvimento e às instituições financeiras multilaterais que acreditaram no projecto e depositaram confiança no país, desde o início, começando pelos acordos de financiamento da linha de transmissão, assinados em Agosto de 2019, em Maputo.

(AIM)

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