Circulação de pessoas estranhas preocupa população no Niassa

A liderança comunitária do distrito de Lichinga, no Niassa, manifesta preocupação face à entrada e circulação de pessoas desconhecidas e, nalguns casos, os mesmos indivíduos são vistos a frequentar determinadas mesquitas que tendem a proliferar nos últimos tempos, sem respeitar regras.

A inquietação surge do facto de, grande parte destes locais de culto estarem a ser construídos à revelia das autoridades e, alertam que tal facto pode ser prenúncio de criação de células terroristas protagonizado por falsos muçulmanos, tal como aconteceu em Cabo Delgado.

Justificam os líderes comunitários que, a preocupação alegando que os terroristas que protagonizam ataques armados contra civis e militares naquela província vizinha, há cerca de quatros anos, usaram a mesma estratégia para se infiltrarem nas comunidades e estabelecer suas bases criminosas.

Acrescentam que verifica-se o crescente surgimento de indivíduos estranhos que se intitulam professantes da religião islâmica onde, sem qualquer autorização prévia das autoridades governamentais locais, estão a erguer mesquitas de forma suspeita.

Essa actuação, que causa muita desconfiança e estranheza no seio da liderança comunitária de Lichinga foi apresentada  ao Secretário de Estado na província do Niassa, Dinis Vilanculos, durante a visita de trabalho que efectuou semana passada ao distrito.

Acrescentaram que a construção de mesquitas pode ser também uma estratégia que visa assegurar um ambiente favorável ao recrutamento de jovens locais que se encontram no desemprego para engrossar as fileiras dos grupos terroristas que actuam em Cabo Delgado.

Desconfiam ainda que haja uma intenção de alargar o raio das acções macabras, que consistem em tirar a vida de pessoas inocentes e destruição de infra-estruturas habitacionais ou instituições públicas e privados, tendo Niassa como alvo.

Mateus Chaibo, líder comunitário do posto administrativo de Lussanhando, disse que os muçulmanos sempre foram coesos e não se justifica o surgimento de pessoas da mesma fé que queiram expandir as mesquitas enquanto as existentes clamam por reabilitação, em razão do seu estado avançado de degradação.

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