Os corredores de Maputo, Beira e Nacala voltaram ao centro das atenções na FACIM 2026, com o Governo a destacar o seu papel estratégico para o desenvolvimento económico de Moçambique e para a dinamização do comércio regional e internacional.
As potencialidades e os desafios da cadeia de transporte e logística em Moçambique estiveram em debate, a 4 de Setembro, no Pavilhão do Ministério dos Transportes e Logística (MTL), no âmbito da Feira Internacional de Maputo (FACIM).
Os seminários decorreram na Zona de Exposição Ferro-Portuária, Marítima, Logística e Hinterland, espaço que reúne instituições públicas e empresas com intervenção nos diferentes segmentos da cadeia nacional de transporte e logística.
Intervindo no evento, o Presidente do Conselho de Administração (PCA) do Instituto Ferro-Portuário de Moçambique (IFEPOM), Ambrósio Sitoe, destacou a importância estratégica dos corredores de Maputo, Beira e Nacala, defendendo uma abordagem integrada para elevar a eficiência e a competitividade do sector.
Segundo Sitoe, o aproveitamento pleno da localização estratégica de Moçambique depende de uma cadeia logística em que portos, caminhos de ferro, transporte marítimo, terminais, pipelines, plataformas logísticas e postos fronteiriços funcionem de forma coordenada e complementar.
“Para que Moçambique possa tirar maior proveito da sua localização estratégica, precisamos de continuar a trabalhar para tornar os nossos corredores mais eficientes, seguros, competitivos, previsíveis e sustentáveis”, afirmou.
Entre as prioridades apontadas estão a redução dos custos e dos tempos de transporte, a melhoria da interoperabilidade entre os diferentes modos de transporte, a digitalização dos processos, o reforço da segurança e da qualidade das infra-estruturas e a criação de melhores condições para a participação do sector privado.
Corredor da Beira em destaque
Um dos pontos centrais da intervenção foi o conjunto de medidas em curso para melhorar o trânsito e o armazenamento de cargas no Corredor da Beira, com destaque para o projecto de construção de uma estrada alternativa de acesso directo ao Porto da Beira, na província de Sofala.
A nova via pretende aliviar o congestionamento na Estrada Nacional n.º 6 (EN6), melhorando a circulação de mercadorias e contribuindo para o aumento da eficiência do corredor.
O projecto prevê igualmente a construção de um Porto Seco no distrito de Dondo, destinado a receber parte significativa da carga com origem ou destino no Porto da Beira. A infraestrutura deverá permitir o manuseamento e o desembaraço de mercadorias fora da zona portuária, reduzindo a pressão sobre o porto.
De acordo com Ambrósio Sitoe, a concretização destes projectos poderá resultar numa redução de cerca de 30% no tempo de viagem, até 20% nos custos operacionais e numa diminuição para metade do número de acidentes.
“A materialização destes projectos vai reduzir significativamente o tráfego de camiões pesados na EN6, diminuir o tempo de espera e melhorar a eficiência logística do Corredor da Beira”, sublinhou.
A realização dos seminários na FACIM constitui uma oportunidade para a apresentação de projectos, partilha de experiências e discussão de soluções destinadas a reforçar a integração dos diferentes segmentos da cadeia logística.
A aposta numa maior articulação entre os vários modos de transporte poderá contribuir para consolidar o posicionamento de Moçambique como plataforma estratégica de transporte, logística e comércio na região, aproveitando a sua localização geográfica e a ligação aos mercados dos países do interior da África Austral.