Um novo ataque atribuído a grupos terroristas atingiu a zona-tampão da Reserva Especial do Niassa, no distrito de Marrupa. Acampamentos turísticos foram incendiados, uma pessoa morreu e cerca de 2.700 pessoas foram deslocadas.
A violência que há quase uma década assola o norte de Moçambique voltou a aproximar-se de uma das principais áreas de conservação do país. Desta vez, o alvo foi a zona-tampão da Reserva Especial do Niassa, onde grupos armados incendiaram acampamentos da Mozambique Wild Adventures.
O ataque representa mais um sinal da pressão exercida pelos grupos terroristas sobre comunidades e actividades económicas fora dos principais focos do conflito em Cabo Delgado.
Segundo o Secretário de Estado na província do Niassa, Silva Livone, para além da morte de uma pessoa, registaram-se avultados prejuízos materiais e o deslocamento de aproximadamente 2.700 pessoas.
O governante revelou ainda que os atacantes terão vindo de Cabo Delgado, com o objectivo de procurar meios logísticos e mantimentos para sustentar as suas operações.
A Reserva Especial do Niassa já havia sido alvo de incursões de grupos armados. Em 2022, registaram-se ataques na região e, entre Abril e Maio de 2025, a violência voltou a afectar áreas da reserva.
No ano passado, um grupo terrorista chegou a invadir uma área de caça da reserva, numa zona próxima da fronteira entre Niassa e Cabo Delgado, aumentando os receios sobre a progressão da ameaça para novas áreas.
O novo ataque coloca igualmente em causa a actividade turística e de conservação numa região considerada estratégica para a biodiversidade e para a economia local.
Quase uma década de terror
O ataque ocorre num contexto de conflito que se arrasta desde Outubro de 2017, quando foram registadas as primeiras acções insurgentes em Mocímboa da Praia, na província de Cabo Delgado.
Desde então, a violência provocou mortes, destruição e deslocamentos massivos de populações, transformando a segurança no norte do país num dos principais desafios nacionais.
Agora, a chegada de grupos armados à Reserva Especial do Niassa aumenta a preocupação das autoridades e das comunidades locais, sobretudo pelo risco de a violência atingir novas áreas e comprometer actividades económicas e de conservação.