“A iniciativa é também um exemplo da criatividade e capacidade de inovação dos jovens moçambicanos, que encontram soluções práticas a partir de recursos disponíveis.”
Com materiais retirados de ferros-velhos e peças de automóveis e motorizadas, Israel Samuel e Alex Ângelo desenvolveram uma multicultivadora capaz de preparar o solo, apoiar o cultivo e transportar produtos agrícolas. A invenção pretende reduzir o esforço dos camponeses e tornar o trabalho na machamba mais rápido e acessível.
Alex Ângelo chega à machamba a bordo de uma motorizada pouco convencional. O veículo foi construído pelo próprio e, além de servir como meio de transporte, revela a criatividade de dois irmãos que decidiram transformar materiais descartados em soluções para responder a desafios do quotidiano.
A ideia nasceu no seio da família. Estudante de Engenharia Eléctrica, Israel Samuel desenvolveu uma máquina que começou como um projecto experimental e acabou transformada numa multicultivadora, concebida para apoiar os agricultores na preparação do solo e no cultivo.
A máquina também pode ser utilizada para transportar produtos agrícolas, tornando-se, segundo os seus criadores, uma ferramenta multifuncional para as actividades no campo.
“Criámos a ideia desta máquina para facilitar o trabalho dos agricultores nas suas actividades, mas também para ajudar no transporte dos produtos”, explica Israel Samuel.
Para construir o equipamento, os irmãos recorreram sobretudo a materiais reutilizados. Muitas das peças foram adquiridas em ferros-velhos e adaptadas ao projecto. “São ferros que juntámos de várias peças de automóveis e motorizadas”, conta o inventor.
Uma semana de trabalho em um dia
Segundo Israel Samuel, a multicultivadora pode reduzir significativamente o tempo necessário para determinadas actividades agrícolas. O inventor afirma que a máquina consegue realizar, num dia, um trabalho que poderia levar cerca de uma semana quando feito de forma manual.
A máquina foi igualmente concebida para reduzir os custos de preparação das machambas. De acordo com o inventor, com cerca de 200 meticais, um agricultor consegue lavrar uma área de aproximadamente 200 metros quadrados em duas horas, embora o consumo de combustível dependa das condições de utilização e do terreno.
O equipamento pode ser construído por um valor estimado entre 500 e 550 euros, aproximadamente 40 mil meticais, segundo os seus criadores. Apesar do potencial da invenção, os irmãos enfrentam agora um novo desafio: encontrar formas de levar o equipamento ao mercado e transformá-lo num produto acessível a mais agricultores.
Da sucata para a estrada
A criatividade dos irmãos não se limita à agricultura.
Alex Ângelo, que participou no processo de fabrico da multicultivadora, desenvolveu também a sua própria motorizada utilizando materiais reciclados.
A paixão por motociclos foi a principal motivação para o projecto. “Eu tinha a paixão de ter a minha própria mota e foi isso que me motivou a fazer esta invenção”, explica Alex.
Construída a partir de peças reaproveitadas, a motorizada tornou-se mais uma demonstração da capacidade dos dois irmãos de transformar materiais considerados sem utilidade em equipamentos funcionais.
Agora, Israel Samuel e Alex Ângelo querem dar um passo maior. O objectivo é transformar as experiências desenvolvidas na oficina numa actividade empresarial, criando uma marca própria de máquinas e equipamentos fabricados localmente.
Para os irmãos, a reciclagem não representa apenas uma forma de reduzir o desperdício. É também uma oportunidade para criar soluções adaptadas às necessidades das comunidades e, no futuro, gerar uma actividade económica baseada na inovação e no reaproveitamento de materiais.
O desafio passa agora por encontrar parceiros, financiamento e canais de comercialização que permitam transformar os protótipos desenvolvidos em equipamentos produzidos e utilizados por um número maior de agricultores.
Entretanto, o Governo da Província de Tete, está atento e acompanha o trabalho dos dois irmãos, que são exemplo para outros jovens da provincia e do país, garantino que vai apoiar o processo de patenteamento das duas inovações através da Universidade Púngue, extensão de Tete e atribuição de uma bolsa de estudo a um dos irmãos.