Coordenador da Revista ÁGORA destacou o papel da investigação, da reflexão e do debate na construção de uma sociedade mais consciente, durante o lançamento da sexta edição da Revista ÁGORA – Ideias e Reflexões, na Universidade Pedagógica de Maputo, na última sextaa-feira, 30 de Outubro.
Há coisas que um país pode importar. Tecnologia, equipamentos, máquinas e até papel para imprimir revistas. Mas há uma que não se compra nem chega por encomenda: o conhecimento. Foi precisamente esta ideia que o Professor Doutor Rui Sixpence Conzane, coordenador da Revista ÁGORA, colocou em evidência durante o lançamento da sexta edição da publicação, realizado na Biblioteca da Universidade Pedagógica de Maputo, no dia 30 de Outubro.

Na ocasião, o académico aproveitou para agradecer à Universidade Pedagógica de Maputo, na pessoa do seu Magnífico Reitor, Professor Doutor Jorge Ferrão, pelo apoio, confiança e visão demonstrados ao longo do percurso da revista. Para Conzana, apoiar uma publicação científica é muito mais do que financiar ou acolher um projecto editorial: é investir na inteligência colectiva de um país.
O agradecimento estendeu-se aos docentes, investigadores, estudantes e trabalhadores da instituição, que, segundo destacou, contribuem para produzir um dos recursos que nenhuma nação consegue importar: conhecimento.
Aos autores da ÁGORA, reservou também uma palavra especial de reconhecimento, lembrando que, por detrás de cada artigo publicado, existem horas de estudo, dúvidas, persistência e coragem intelectual. Afinal, como deixou perceber, um artigo científico não nasce por geração espontânea, muito menos apenas porque alguém se sentou diante de um computador com vontade de escrever.
E se há uma coisa que a investigação ensina, observou, é que quanto mais se aprende, mais se percebe o quanto ainda falta conhecer. Talvez por isso, acrescentou, os verdadeiros sábios sejam quase sempre os mais humildes.
Mas foi ao olhar para os tempos actuais que o coordenador deixou uma observação particularmente oportuna. Vivemos numa época em que nunca houve tantas opiniões e, paradoxalmente, talvez nunca tenha sido tão difícil escutar. Nas redes sociais, as respostas chegam muitas vezes antes mesmo de as perguntas estarem devidamente formuladas.
É neste cenário de pressa, comentários instantâneos e certezas para todos os gostos que a ÁGORA pretende seguir outro caminho: o da reflexão. Um caminho que, nas palavras de Conzane, exige tempo, porque pensar continua a ser um verbo lento. E talvez seja justamente essa lentidão que nos protege da superficialidade.
A mensagem foi também um convite a recuperar o valor da conversa, do pensamento crítico e da liberdade de expressão. Para o coordenador, um país cresce quando respeita o conhecimento. A democracia amadurece quando protege o debate e a liberdade floresce onde ninguém tem medo das ideias.
Por isso, a sexta edição da ÁGORA foi apresentada não apenas como mais um número de uma publicação científica, mas como uma declaração de confiança na ciência, na cultura, na inteligência e, sobretudo, nas pessoas.
Na parte final da sua intervenção, Rui Sixpence Conzane recorreu a imagens simples para ilustrar a dimensão dos grandes projectos: os edifícios começam por alicerces invisíveis, as árvores centenárias nascem de sementes quase imperceptíveis e muitas das grandes transformações da história começaram com ideias em que alguém acreditou quando ainda pareciam impossíveis.
Foi nesse espírito que reafirmou a sua confiança no futuro da revista, reconhecendo que talvez nunca seja possível contabilizar todas as vidas que a publicação poderá tocar. Mas há uma certeza que, para si, permanece incontornável: nenhuma sociedade muda sem pensamento e nenhum futuro se constrói sem conversa.
O coordenador deixou, por isso, um desafio aos leitores: que não se limitem a levar a revista para casa ou a colocá-la numa estante. Que a façam circular pelas universidades, escolas e bibliotecas, mas, sobretudo, que a levem para as conversas do quotidiano.
Afinal, uma revista pode terminar a sua passagem pela gráfica, mas a sua verdadeira vida começa quando alguém abre a primeira página, lê, questiona, discorda e partilha uma ideia.
E Conzane encerrou com uma convicção que funciona quase como uma síntese da filosofia da ÁGORA: as ideias são o único recurso que cresce quanto mais é partilhado.