Lisboa: Lançado livro “direitos negados – narrativas de meninas e mulheres”

A obra aborda os direitos das Meninas e Mulheres, com enfoque na prevenção das uniões prematuras e na defesa dos direito à infância.

A ativista moçambicana Benilde Nhalivilo reforçou o apelo ao combate às uniões prematuras durante o lançamento do livro Direitos Negados: Narrativas de Meninas e Mulheres, realizado a 13 de Outubro, no Instituto Camões, em Lisboa. Co-autora da obra, Benilde homenageou milhões de meninas privadas da infância e defendeu o direito de cada criança a crescer, estudar e escolher livremente o seu futuro.

Benilde é uma das autoras da obra, que com Alice Frade, reúne também narrativas e testemunhos de Marisa Oliveira de Portugal; Adama Baldé e Fatumata Djau Baldé, da Guiné-Bissau; Fatema Beauty, do Bangladesh; José Roberto Luna, do UNFPA, Otávia Loureço de Moçambique e Mariana Braga, do Brasil.

Benilde iniciou a sua intervenção prestando homenagem aos milhões de meninas que, em todo o mundo, vêem diariamente os seus sonhos e esperanças negados ao serem forçadas a viver uma vida conjugal quando ainda deveriam estar a estudar, a brincar e a descobrir as suas possibilidades de futuro. Para a activista, o livro simboliza a resistência das mulheres e a luta pelo direito de cada menina a viver plenamente a sua infância. Considerou, igualmente, que o convite para integrar a obra representa um reconhecimento não apenas seu, mas do trabalho abnegado das moçambicanas e moçambicanos de diferentes sectores que têm contribuído para consciencializar as comunidades, aprovar e implementar legislação e desenvolver projectos para eliminar as uniões prematuras.

Benilde Nhalivilo

Benilde participou em representação da Gender Plus, associação moçambicana de capacitação e fortalecimento para a igualdade de género, e da Aliança Pan-Africana contra as Uniões Prematuras, organização cujo Conselho de Direcção preside. A activista chamou também a atenção para a dimensão do problema, sobretudo em África. Recordou que, segundo os dados apresentados na sua intervenção, uma em cada três uniões prematuras no mundo ocorre no continente africano, onde cerca de 130 milhões de mulheres e raparigas actualmente vivas entraram numa união durante a infância. Acrescentou que, se as tendências persistirem, África poderá concentrar quase metade das crianças casadas do mundo até 2050. Este cenário compromete os progressos necessários para alcançar as metas dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável.

Benilde que no passado foi Directora Executiva do Fórum da Sociedade Civil para os Direitos da criança (ROSC), uma organização que abraçou como uma das suas causas a prevenção e combate as Uniões Prematuras, deixou um desejo que traduz o sentido desta luta colectiva: que a próxima edição do livro possa contar as uniões prematuras como uma realidade ultrapassada. Que as histórias de meninas e mulheres privadas da infância, da liberdade e da possibilidade de escolher o seu futuro possam, finalmente, começar por «Era uma vez…».

Lucy Begum: uma história de superação e de esperança

Um dos momentos mais comoventes do lançamento foi o testemunho de Fatema Beauty, do Bangladesh, co-autora do livro e filha de Lucy Begum. Ao partilhar a história da sua mãe, casada prematuramente, Fatema mostrou como os seus pais, apesar das dificuldades, conseguiram lutar por uma vida melhor e abrir à filha caminhos de esperança e de oportunidade. Uma história que tocou os participantes e deu rosto à força e à resistência presentes na obra.

O livro resulta de um projeto  MEMES – Meninas e Mulheres Empoderadas e com Saúde — Informar, Sensibilizar, Agir das organizações portuguesas Feministas em Movimento e P&D Factor, com o apoio do Ministério da Juventude, Cultura e Desporto, da Secretaria de Estado Adjunta e da Juventude e da Igualdade e da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG), de Portugal. A obra contou ainda com a colaboração da AMAR, da Guiné-Bissau; da Associação de Jovens para a Igualdade de Género de Moçambique (AMJIGE); da Associação para a Igualdade de Género nas Comunidades Ciganas (Ribaltambição); e do Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP).