Arcénia Quehá faz história no miss mundo

Moçambique escreveu uma página inédita nos grandes concursos internacionais de beleza. Na primeira participação do país no Miss Mundo sob a bandeira nacional, Arcénia Quehá conseguiu chegar ao Top 40 da competição, colocando-se igualmente entre as dez representantes africanas que avançaram para esta fase.

A 73.ª edição do Miss Mundo, realizada no Vietname, reuniu 111 representantes de diferentes países e territórios. No meio de concorrentes experientes e países com longa tradição neste tipo de competição, Arcénia Quehá conseguiu levar o nome de Moçambique à fase dos quartos-de-final.

O feito ganha dimensão histórica porque esta foi a primeira participação de Moçambique no Miss Mundo como país independente e representado pela sua própria bandeira.

A grande vencedora do Miss Mundo 2026 foi Joheirry Mola, da República Dominicana. A espanhola Elisabeth Reynés terminou como primeira dama de honor, enquanto Taanusiya Chetty, da Malásia, conquistou a terceira posição.

Entre as representantes africanas que chegaram ao Top 40 estiveram Eritreia, Quénia, Malawi, Moçambique, Nigéria, Senegal, África do Sul, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabwe.
Para Moçambique, a edição ficará marcada sobretudo pelo nascimento de uma nova página nos concursos internacionais de beleza.

De Sofala para o mundo

Natural da província de Sofala, Arcénia Quehá é modelo, estudante, formadora na área de beleza e estética, activista social e educadora de pares.

A jovem ganhou projecção nacional depois de conquistar o Mozambique Beauty Award, numa competição em que representou Sofala.

A participação no Miss Mundo, entretanto, foi muito além da beleza física.

Arcénia apresentou-se internacionalmente associada a causas sociais. A moçambicana desenvolve actividades comunitárias e já esteve envolvida em iniciativas de apoio a crianças e mulheres vulneráveis, além de acções relacionadas com a saúde sexual e reprodutiva.

“Menstruação com dignidade” é o lema pessoal apresentado no seu perfil oficial do Miss Mundo, reflectindo uma das causas que procura colocar no centro da sua intervenção social.

Moçambique entre as 40 melhores

A caminhada de Arcénia ganhou um dos seus momentos mais importantes quando foi anunciado o Top 40. O formato da competição dividiu as candidatas por regiões continentais, apurando dez representantes de cada uma para esta fase. Moçambique conseguiu estar entre as dez africanas seleccionadas.

A própria organização do Miss Mundo classificou a presença moçambicana nesta fase como histórica. Moçambique esteve entre os países que alcançaram o Top 40 pela primeira vez, juntamente com países como Eritreia, Malawi, Senegal e Camboja.

Arcénia, contudo, não conseguiu avançar para o Top 20. As cinco representantes africanas que seguiram nessa fase foram Quénia, Senegal, África do Sul, Zâmbia e Zimbabwe.

Isso não retirou importância à prestação moçambicana: numa estreia entre 111 participantes, Moçambique terminou entre as 40 melhores representações do concurso.

Uma estreia com peso histórico

Há ainda uma curiosidade que liga Moçambique à história do Miss Mundo. Em 1971, Ana Paula de Almeida, nascida em Moçambique e detentora do título Miss Mozambique, participou no Miss Mundo representando Portugal, numa altura em que Moçambique ainda se encontrava sob administração colonial portuguesa. Terminou a competição como segunda dama de honor.

Mais de meio século depois, Arcénia Quehá protagonizou outro capítulo: desta vez, Moçambique entrou no palco mundial em nome próprio, com a sua bandeira e identidade nacional.

A grande vencedora do Miss Mundo 2026 foi Joheirry Mola, da República Dominicana. A espanhola Elisabeth Reynés terminou como primeira dama de honor, enquanto Taanusiya Chetty, da Malásia, conquistou a terceira posição.

Para Moçambique, a edição ficará marcada sobretudo pelo nascimento de uma nova página nos concursos internacionais de beleza.

Arcénia Quehá não trouxe a coroa para casa, mas conseguiu algo que nenhuma representante do Moçambique independente havia alcançado: estrear o país no Miss Mundo e colocar a bandeira nacional entre as 40 melhores do planeta.