Chimoio: Chapo quer romper dependência económica

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Presidente defende industrialização e maior aproveitamento dos recursos nacionais para gerar emprego, rendimento e bem-estar

O Presidente da República, Daniel Chapo, quer que Moçambique entre numa nova etapa de desenvolvimento, assente na transformação dos recursos naturais em riqueza nacional, na industrialização e na redução da dependência externa. O desafio, segundo o Chefe do Estado, deve orientar os próximos 50 anos da independência e mobilizar diferentes sectores da sociedade.

A posição foi defendida esta sexta-feira, em Chimoio, província de Manica, durante a abertura da 11.ª Conferência Nacional de Quadros da FRELIMO, que decorre de 21 a 23 de Agosto.

Chapo considera a independência económica “o grande desafio geracional do nosso tempo”, defendendo que o país deve deixar de depender excessivamente da exportação de matérias-primas em bruto, da ajuda externa e do endividamento.

Para o Presidente, alcançar maior autonomia económica não significa fechar o país ao mundo ou rejeitar o investimento estrangeiro. Significa criar condições para que Moçambique participe na economia global com maior capacidade de decisão e consiga beneficiar mais dos seus próprios recursos.

Entre as prioridades apontadas estão a industrialização, o processamento dos recursos naturais no território nacional e o fortalecimento da capacidade produtiva.

Chapo destacou, neste âmbito, a aprovação da nova Lei de Minas, da Lei de Petróleos e da Lei do Conteúdo Local, bem como a criação da Empresa Nacional de Minas e do Banco de Desenvolvimento de Moçambique.

O Presidente defendeu ainda uma governação baseada no mérito, profissionalismo, integridade, inovação, eficiência, transformação digital e combate à corrupção.

Na sua visão, o desenvolvimento deve traduzir-se em benefícios concretos para a população, através de uma cadeia capaz de transformar recursos em produção, produção em emprego, emprego em rendimento e rendimento em bem-estar.

Chapo apontou igualmente a paz, a unidade nacional e a estabilidade como condições indispensáveis para o crescimento económico. Sobre Cabo Delgado, reafirmou o compromisso de encontrar mecanismos que permitam devolver a paz efectiva à província.

A 11.ª Conferência Nacional de Quadros da FRELIMO acontece dez anos depois da anterior e deverá produzir orientações para a elaboração das teses do 13.º Congresso do partido.

Sob o lema “Renovar Moçambique: Uma Nova Era, Um Pacto com o Povo”, a Conferência reúne delegados e convidados em Chimoio para discutir os principais desafios políticos, económicos e sociais do país.

0 evento de três dias juntar 3.000 membros do partido no poder, entre delegados (2.600) e convidados (400), com o objectivo de discutir questões do desenvolvimento do país e a vida interna daquela formação política.

 

Refira-se que, três dias após a Conferência Nacional de Quadros, a Frelimo vai reunir, ainda em Chimoio, para a IV Sessão Extraordinária do Comité Central, a principal reunião do partido no intervalo entre os congressos. O encontro terá lugar no dia 26 de Agosto.