25 anos depois, o mundo ainda vive as consequências do 11 de Setembro

Os atentados de 11 de Setembro de 2001 mudaram profundamente os Estados Unidos e desencadearam uma transformação na política internacional. A resposta de Washington deu origem à chamada “Guerra ao Terror”, provocou duas grandes intervenções militares e alterou o equilíbrio de poder no Médio Oriente.

Hoje, 11 de setembro de 2026, os Estados Unidos assinalaram os 25 anos dos atentados com cerimónias de homenagem às quase 3 mil vítimas e momentos de silêncio nos locais dos ataques.

Em Nova Iorque, familiares das vítimas reuniram-se no Memorial do 11 de Setembro para a tradicional leitura dos nomes dos mortos. NãoPentágono e na Pensilvânia, onde caiu o voo 93, também foram realizadas cerimónias.

A data foi marcada sobretudo pela memória das vítimas, pelos familiares e pelos sobreviventes, mas também pela reflexão sobre as consequências que os atentados deixaram na sociedade americana e no mundo.

Passados 25 anos, a mensagem central das homenagens foi de memória e união: lembrar as vítimas e não esquecer o impacto daquele dia na história dos Estados Unidos.

Após os ataques, que mataram 2.977 pessoas, os Estados Unidos lançaram, em Outubro de 2001, uma ofensiva contra o Afeganistão, onde a Al-Qaeda, responsável pelos atentados, tinha as suas bases e contava com a protecção do regime Talibã.

O regime foi derrubado, mas a operação transformou-se numa guerra que durou quase duas décadas. A missão passou da perseguição à Al-Qaeda para a tentativa de reconstruir o Estado afegão e criar instituições democráticas. Em 2021, a retirada das forças internacionais foi seguida pelo regresso dos Talibãs ao poder.

Dois anos depois, Washington abriu uma segunda frente no Iraque. A administração de George W. Bush acusou o regime de Saddam Hussein de possuir armas de destruição em massa e de representar uma ameaça à segurança internacional. A invasão, iniciada em Março de 2003, avançou sem uma nova autorização do Conselho de Segurança da ONU.

As armas de destruição em massa não foram encontradas e a guerra mergulhou o Iraque em anos de instabilidade e violência. A queda de Saddam também alterou o equilíbrio de poder no Médio Oriente, aumentando a influência do Irão e contribuindo para o ambiente que permitiu posteriormente a expansão do Estado Islâmico.

Enquanto isso, a ONU reforçou a cooperação internacional contra o terrorismo, adoptando medidas para combater o financiamento de grupos terroristas, melhorar o controlo das fronteiras e fortalecer a cooperação entre os Estados. Em 2006, a organização aprovou a sua Estratégia Global contra o Terrorismo, que passou a combinar segurança com prevenção, direitos humanos e Estado de Direito.

Nos Estados Unidos, o 11 de Setembro provocou igualmente uma enorme expansão dos mecanismos de segurança e vigilância. O USA PATRIOT Act ampliou os poderes de investigação das autoridades, enquanto medidas como o reforço dos controlos aeroportuários passaram a fazer parte da vida quotidiana.

Vinte e cinco anos depois, o legado permanece controverso. A luta contra a Al-Qaeda produziu importantes resultados, mas as guerras no Afeganistão e no Iraque deixaram profundas consequências humanas e geopolíticas.

O 11 de Setembro marcou, assim, o início de uma nova era: os atentados mudaram a política externa americana, mas a resposta dos Estados Unidos ajudou a redesenhar a ordem internacional.

Em termos resumidos, os atentados de 11 de setembro de 2001 deixaram consequências profundas como:

  • Guerra no Afeganistão, iniciada pelos EUA contra a Al-Qaeda e o regime Talibã.
  • Invasão do Iraque em 2003, que provocou anos de instabilidade e violência no Médio Oriente.
  • Fortalecimento da luta internacional contra o terrorismo, com maior cooperação entre países e serviços de inteligência.
  • Reforço das medidas de segurança, sobretudo nos aeroportos e fronteiras.
  • Aumento da vigilância estatal, gerando debates sobre privacidade e direitos humanos.
  • Alteração do equilíbrio de poder no Médio Oriente, com o fortalecimento da influência do Irão.
  • Criação e expansão de novos grupos extremistas, incluindo o Estado Islâmico, num contexto de instabilidade regional.
  • Maior intervenção internacional da OTAN, particularmente no Afeganistão.
  • Reforço do papel da ONU no combate ao terrorismo, incluindo medidas contra o seu financiamento.
  • Mudança na política externa dos EUA, que passou a colocar o combate ao terrorismo no centro da sua estratégia internacional.