A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) identificou, nos Estados Unidos da América, potenciais parceiros para a estruturação e financiamento de projectos de investimento em Moçambique, com destaque para os sectores de energia, gás, mineração, agro-indústria, infra-estruturas, logística, indústria transformadora e tecnologia.
A oportunidade foi identificada durante o Fórum de Negócios EUA-Moçambique, realizado em Washington D.C., no âmbito da Missão Empresarial da CTA aos Estados Unidos, que reuniu empresários moçambicanos, empresas norte-americanas e instituições financeiras.
Um dos principais sinais de interesse veio da U.S. International Development Finance Corporation (DFC), instituição norte-americana de financiamento ao desenvolvimento, que manifestou disponibilidade para apoiar projectos do sector privado em Moçambique e mobilizar soluções financeiras para a sua implementação.
Intervindo no Fórum, a representante da DFC, Hannah Jackson, explicou que a instituição trabalha com empresas privadas em mercados emergentes, disponibilizando instrumentos como empréstimos directos, garantias, seguro contra riscos políticos, investimentos de capital e apoio à estruturação de projectos.
A DFC tem como áreas prioritárias a energia, infra-estruturas, logística, agricultura e segurança alimentar, tecnologia, telecomunicações, saúde e serviços financeiros.
A instituição esclareceu que pretende complementar, e não substituir, o financiamento privado disponível no mercado, podendo também trabalhar em parceria com outros financiadores para mobilizar recursos adicionais para projectos considerados viáveis.
Na abertura do Fórum, o Embaixador de Moçambique nos Estados Unidos, Alfredo Nuvunga, defendeu a necessidade de transformar as oportunidades de cooperação económica em investimentos concretos, capazes de gerar impacto no desenvolvimento do país.
Por seu turno, o Vice-Presidente da CTA, Onório Manuel, afirmou que a missão empresarial não se limita à procura de capital, mas visa estabelecer parcerias estratégicas capazes de contribuir para a construção das indústrias do futuro em Moçambique.
“Precisamos de aproveitar o potencial de Moçambique nos sectores de energia, gás, mineração, agro-indústria, infra-estruturas, logística, indústria transformadora, tecnologia e no desenvolvimento de fornecedores locais”, afirmou.
Conteúdo local no centro das discussões
Os participantes do Fórum debateram igualmente o ambiente de investimento em Moçambique, os mecanismos de financiamento, o conteúdo local e a necessidade de aumentar a participação das empresas nacionais nas cadeias de fornecimento dos grandes projectos.
A estruturação de projectos e a criação de mecanismos de parceria entre empresas moçambicanas e norte-americanas estiveram igualmente entre os temas abordados.
Neste contexto, a possibilidade de mobilização de recursos da DFC e de outros parceiros norte-americanos abre espaço para que empresas moçambicanas com projectos estruturados possam procurar novas fontes de financiamento e estabelecer alianças estratégicas com investidores dos Estados Unidos.
Ponte entre Moçambique e os EUA
A missão contou também com a participação de Anthony Adesina, Business Retention and Expansion Manager do Charles County Department of Economic Development, no Estado de Maryland.
Adesina participou nas discussões sobre comércio, investimento e cooperação económica entre Moçambique e os Estados Unidos, num contexto em que existem iniciativas de aproximação= entre Charles County e a Matola, visando promover relações económicas, comércio, investimento, exportações e intercâmbio entre as duas localidades.
Com a realização do Fórum, a CTA procura consolidar o seu papel de ligação entre o sector privado moçambicano, investidores internacionais e instituições financeiras, criando condições para transformar contactos e manifestações de interesse em projectos concretos, financiamento, transferência de tecnologia e conhecimento, desenvolvimento de fornecedores locais e criação de emprego em Moçambique.