MAEVA: A gigantesca empresa que produz, alimenta e e transforma

Quase três décadas depois de iniciar a sua trajectória, o Grupo Maëva transformou uma operação ligada à produção de sabão num conglomerado que hoje atravessa a indústria alimentar, óleos, detergentes, agricultura e avicultura.

Há empresas cuja história se conta pelos produtos que colocam no mercado. Outras contam-se pela capacidade de crescer, diversificar e acompanhar as transformações de um país. A história do Grupo Maëva reúne um pouco das duas.

Tudo começa em 1998. Moçambique vivia uma fase de reconstrução económica e procurava atrair investimento para recuperar e ampliar a sua capacidade produtiva. É nesse contexto que a Sabimo, Lda. inicia as suas actividades.

A empresa, inicialmente constituída com capital francês e mais tarde integrada no Grupo Maëva, dedicava-se à produção de sabão. Na fase inicial, parte dos trabalhadores recebeu formação e alguns foram enviados para a Índia, país onde também foi adquirida grande parte da maquinaria utilizada na produção. Era ainda uma operação distante da dimensão que o grupo viria a alcançar.

A capacidade inicial da fábrica rondava as nove toneladas de produção diária. Anos depois, em 2010, a introdução de uma segunda linha permitiu elevar a capacidade diária em mais 36 toneladas. Era um sinal de que aquela indústria começava a ganhar outra dimensão.

Do sabão para a mesa dos moçambicanos

A expansão não ficaria confinada aos produtos de higiene. Em 2004, os accionistas da Sabimo avançaram para a criação da Refinarias do Sul, Lda., entrando de forma mais profunda no sector dos óleos alimentares. A empresa passou a refinar e comercializar óleo sob a marca Maëva. Começava assim uma nova etapa.

A marca que chegara ao consumidor através do sabão passava também a entrar nas cozinhas das famílias. O movimento revelava uma estratégia que se tornaria uma característica da Maëva: não permanecer dependente de uma única actividade.

Óleos, sabões, embalagens, processamento de matérias-primas e, mais tarde, agricultura e avicultura passaram a formar diferentes braços de uma mesma estrutura empresarial.

Ao longo da sua expansão, o Grupo Maëva passou a integrar diferentes unidades industriais. Registos académicos sobre a empresa identificam, entre outras, a Sabimo, em Maputo, ligada à produção de sabão; a Refinarias do Sul, na Matola, dedicada aos óleos vegetais; a Maëva Plast, ligada às embalagens plásticas e refinação; a MAXI Óleos, na Maxixe; e a Maëva Óleos, associada ao processamento de coco.

A empresa procurava construir uma cadeia na qual diferentes fases da produção pudessem conversar entre si.

Hoje, o próprio Grupo Maëva afirma supervisionar diferentes etapas do processo produtivo, das plantações à refinação, sobretudo na área dos óleos alimentares.

Com o passar dos anos, a Maëva voltou a ampliar as suas fronteiras. A agricultura e a avicultura entraram no universo do grupo. Actualmente, a empresa apresenta um portefólio que inclui óleo de soja, girassol, palma e coco, sabões, detergentes, produtos de limpeza, ovos, carne de frango, pintos de um dia e ração para aves.

Na avicultura, a integração também é visível. Segundo a empresa, a cadeia abrange desde a produção de ração até à criação e ao abate das aves. É a transformação de uma empresa que nasceu essencialmente industrial numa organização com presença crescente no universo agro-industrial.

Shémir Sokataly e a construção do grupo

No centro desta trajectória empresarial aparece o nome de Shémir Sokataly, associado à liderança do Grupo Maëva. A expansão do grupo ao longo dos anos mostra uma aposta persistente na diversificação: em vez de concentrar a actividade num único produto, a Maëva foi entrando em sectores relacionados entre si.

O sabão abriu caminho.

Os óleos ampliaram o mercado.

As embalagens reforçaram a estrutura industrial.

A agricultura aproximou o grupo da matéria-prima.

E a avicultura abriu uma nova frente de produção alimentar.

A dimensão alcançada pela Maëva também pode ser medida através do emprego. Em Maio de 2025, uma visita conjunta da Procuradoria, do Instituto Nacional de Segurança Social e da Inspecção-Geral do Trabalho às instalações da empresa permitiu conhecer alguns números.

Segundo o INSS, o Grupo Maëva empregava cerca de 1.500 trabalhadores, distribuídos por Maputo, Gaza, Inhambane, Sofala, Tete e Manica. É também esta dimensão humana que ajuda a perceber a escala que o grupo alcançou.