Quase nove anos após o início da insurgência, Filipe Nyusi considera que o conflito em Cabo Delgado já deveria ter chegado ao fim. O antigo Presidente da República defende maior concentração e determinação das forças no combate aos grupos terroristas.
As declarações, feitas em Maputo, à margem das cerimónias do Dia da Vitória, surgem num momento em que as autoridades moçambicanas anunciam avanços no combate à insurgência.
O Presidente Daniel Chapo anunciou recentemente que todas as vilas anteriormente ocupadas pelos terroristas em Cabo Delgado foram recuperadas. As Forças de Defesa e Segurança continuam, entretanto, a perseguir os insurgentes e a realizar operações para impedir a sua reorganização.
Apesar da recuperação das vilas, os ataques não cessaram completamente. Os insurgentes continuam a agir sobretudo em zonas rurais, recorrendo a ataques rápidos, raptos e destruição de bens.
A ameaça também voltou a ultrapassar as fronteiras de Cabo Delgado. No início de Setembro, um ataque em Marangira, no distrito de Marrupa, província do Niassa, foi atribuído a insurgentes ligados ao conflito de Cabo Delgado.
A leitura de Nyusi
É neste contexto que Nyusi afirma que a insurgência “já deveria ter terminado há muito tempo”. Para Nyusi, é necessária uma actuação mais concentrada das forças envolvidas para produzir resultados no terreno e pôr fim à violência que continua a afetar as populações e a provocar deslocações.
As declarações de Nyusi colocam em evidência o principal desafio actual, que é conseguiu eliminar a capacidade operacional dos grupos insurgentes. A persistência de ataques e a recente incursão no Niassa mostram que, apesar dos avanços militares anunciados pelo Governo, a ameaça terrorista continua ativa.