Presidente da República, Daniel Chapo, propõe uma plataforma nacional para ligar mulheres ao financiamento, tecnologia e mercados, defendendo que a pobreza feminina é um desafio econômico e não apenas social.
Maputo — O discurso do Presidente Daniel Chapo, na abertura da Oitava Conferência Nacional sobre Mulher e Género foi além da defesa da igualdade entre homens e mulheres. A principal mensagem centrou-se numa ideia mais ampla: o empoderamento feminino como motor do crescimento econômico de Moçambique.
Em vez de apresentar apenas um balanço das políticas públicas, Chapo procurou enquadrar a mulher como protagonista da transformação económica, defendendo maior acesso ao crédito, à formação profissional, à terra, à tecnologia e aos mercados. Para o Chefe do Estado, combater a pobreza exige criar condições para que as mulheres produzam riqueza e participem plenamente na economia nacional.
Um dos anúncios com maior peso político foi o reforço de programas de empreendedorismo dirigidos às jovens. O Presidente revelou que dezenas de milhares de mulheres serão abrangidas por iniciativas de capacitação, sendo que parte das beneficiárias receberá 100 mil meticais para iniciar pequenos negócios, num apoio sem reembolso destinado a estimular o empreendedorismo feminino.
A medida surge como parte de uma estratégia que procura substituir uma lógica de assistência por uma abordagem baseada na criação de rendimento e autonomia económica.
Outro ponto novo do discurso foi a proposta de criação do Capítulo Nacional da WYFEI 2030, iniciativa da União Africana voltada para a inclusão financeira e económica de mulheres e jovens.
Segundo Chapo, o objectivo é construir uma plataforma capaz de aproximar empresárias, produtoras rurais, jovens empreendedoras, instituições financeiras, universidades, Estado e setor privado, facilitando o acesso a oportunidades de investimento e expansão dos negócios.
A proposta pretende transformar redes dispersas de organizações femininas numa estrutura nacional de cooperação económica.
O desafio passa da conferência para a execução
Embora tenha reiterado o apelo para que a violência baseada no gênero seja combatida em todos os espaços da sociedade, o Presidente relacionou diretamente este fenómeno com o desenvolvimento econômico. Para Daniel Chapo, a violência e a pobreza limitam a participação das mulheres na vida produtiva e comprometem o potencial de
O Chefe do Estado defendeu o envolvimento de famílias, líderes comunitários, escolas, órgãos de justiça, comunicação social e dos próprios homens e rapazes na construção de uma cultura de “Violência Zero”.
Na recta final da intervenção, Chapo lançou um desafio aos participantes: produzir uma declaração final com prioridades concretas, metas, prazos, responsáveis e mecanismos de acompanhamento, evitando que a conferência se limite a recomendações sem impacto prático.