Trata-se de uma história que divide opiniões. Para uns, o jovem, membro da OJM, é um “lambe-botas”; para outros, a atitude revela um militante de forte convicção política, para quem a lealdade e a admiração pelo Presidente da República e da FRELIMO, Daniel Chapo ultrapassam o espaço partidário e entram na esfera pessoal.
O casamento estava marcado, mas António Matavel acabou por trocar o altar pelo retrato do Presidente Daniel Chapo. O jovem da FRELIMO terminou o relacionamento depois de a noiva pedir que o quadro do Presidente, colocado no quarto, fosse substituído por uma fotografia do casal.
A história, que parece saída de um filme, foi contada pelo próprio António Matavel, jovem membro da FRELIMO, durante a sua participação no programa “Atracções”, apresentado pelo Puto Aires.
Segundo Matavel, tudo começou quando a sua companheira questionou a presença do retrato do Presidente Daniel Chapo no quarto. A mulher terá defendido que aquele espaço deveria ser ocupado por uma fotografia dos dois.
A reacção do jovem foi imediata. “Ela atreveu-se a mover o quadro”, contou Matavel, deixando claro que não viu a atitude apenas como uma simples questão de decoração. Na sua interpretação, mexer no retrato significava não honrar uma figura que considera especial.
“Se ela não consegue honrar uma figura angelical, que é uma bênção para o nosso país, o que será de um homem mortal como eu?”, questionou.
E foi assim que, com o casamento já marcado, o relacionamento chegou ao fim.
A história ganha contornos ainda mais curiosos pela forma como Matavel descreve o Presidente da República. Para o jovem, Daniel Chapo é “angelical” e uma bênção para Moçambique. A sua admiração é tão forte que o retrato presidencial, colocado num espaço tão íntimo como o quarto, acabou por se tornar mais importante do que a fotografia que a companheira queria colocar no lugar.
Matavel também afirmou que, na sua perspectiva, Chapo só terá experimentado a “imperfeição” quando nomeou Venâncio Mondlane para o Conselho do Estado.
Na FRELIMO, “a imagem do presidente conta muito”
Ao explicar a ruptura, Matavel introduziu ainda uma dimensão política no episódio. “Na FRELIMO, a imagem do Presidente conta muito”, afirmou, numa declaração que ajuda a compreender a importância que atribui à figura de Daniel Chapo.
O caso coloca, assim, uma pergunta pouco habitual: onde termina a lealdade política e começa a vida privada? Para a noiva, tratava-se de trocar um retrato por uma fotografia do casal. Para Matavel, porém, mexer no quadro de Chapo ultrapassou uma simples questão doméstica.
O comportamento do jovem pode ser lido como uma demonstração de lealdade política levada ao extremo ou, pelos críticos, como um exemplo de bajulação ao poder. O que o episódio revela, acima de tudo, é o peso que a figura do líder pode assumir na identidade e nas escolhas pessoais de um militante.