Grupo que contesta a liderança de Ossufo Momade queima material de propaganda do presidente do partido e exige a sua saída imediata para preparar as próximas eleições.
Membros da Renamo que contestam a liderança de Ossufo Momade exigem a realização de um congresso ainda este ano para eleger novos dirigentes e ultrapassar a crise interna do partido. Como forma de manifestar o seu descontentamento, o grupo queimou material de propaganda com a imagem do actual presidente da formação política, na sede provincial do partido, na cidade da Matola, província de Maputo.
O grupo manifesta a sua indignação pelo facto de, a menos de duas semanas da realização do Conselho Nacional do partido, ainda não ter recebido um convite para participar no encontro.
António Muchanga, membro sénior da Renamo não condenou a destruição do material de propaganda, considerando a acção uma forma de luta política. O membro da Renamo defende que todos os sectores devem ser convidados para o Conselho Nacional, tendo em conta a gravidade dos problemas internos do partido.
Muchanga referiu ainda que, durante a campanha eleitoral, ocorreram situações que o grupo considera graves e que, até ao momento, prefere discutir internamente, sem as expor publicamente. No entanto, advertiu que, caso não haja abertura para o diálogo, essas informações poderão ser tornadas públicas, de modo a permitir a sua discussão.
Em relação à liderança de Ossufo Momade, Muchanga afirmou que, embora o presidente tenha manifestado a intenção de deixar o cargo no fim do seu mandato, o grupo exige a sua saída imediata, para permitir a preparação das próximas eleições.
Os contestatários defendem, por isso, a realização de um congresso ainda este ano, com vista à eleição de uma nova liderança e à discussão dos caminhos para o futuro da Renamo.
Por sua cez, João Machava, porta-voz da Comissão Nacional de Gestão da Renamo, a destruição do material marcou o início das comemorações do dia 17 de Outubro, data que assinala a morte de André Matsangaissa, primeiro líder do movimento.
João Machava considera importante a presença do grupo no Conselho Nacional, defendendo que o mesmo deve constituir uma oportunidade para debater os problemas internos da Renamo e encontrar soluções para a crise que afecta o partido.
O porta-voz recordou que o Conselho Nacional é composto por 120 membros, mas sublinhou que existe espaço para a participação de convidados, pelo que defende a inclusão dos membros que contestam a actual liderança.