GAZA: Human Rights Watch acusa Israel de crimes contra a humanidade

A organização Human Rights Watch (HRW) acusou hoje Israel de cometer crimes contra a humanidade em Gaza, além de ter obrigado à deslocação forçada em massa e destruição generalizada no território palestiniano.

“As autoridades israelitas provocaram deslocações forçadas maciças e deliberadas de civis palestinianos em Gaza desde outubro de 2023 e são responsáveis por crimes de guerra e crimes contra a humanidade”, escreve a HRW num relatório intitulado “Hopeless, Starving, and Besieged: Israel’s Forced Displacement of Palestinians in Gaza” (“Sem Esperança, Famintos e Sitiados: A Deslocação Forçada de Palestinianos em Gaza por Israel”).

Segundo a organização, não há nenhuma razão militar imperativa plausível que justifique a deslocação em massa de quase toda a população de Gaza por parte de Israel, muitas vezes, várias vezes. Em vez de garantir a segurança dos civis, as ‘ordens de retirada’ militares têm causado graves danos”, acrescenta a organização de defesa e promoção dos direitos Humanos, com sede em Nova Iorque.

Para a organização, a comunidade internacional, nomeadamente os governos, “devem aprovar sanções específicas e outras medidas e suspender a venda de armas a Israel”. Além disso, prossegue, o procurador do Tribunal Penal Internacional (TPI) deve investigar as deslocações forçadas de Israel e o impedimento do direito de regresso como um crime contra a humanidade.

Com 154 páginas, o relatório é publicado na altura em que está em curso uma campanha militar israelita no norte de Gaza “que muito provavelmente criou uma nova vaga de deslocação forçada de centenas de milhares de civis.

No documento é examinada a forma como a conduta das autoridades israelitas levou à deslocação de mais de 90% da população de Gaza – 1,9 milhões de palestinianos – e à destruição generalizada de grande parte de Gaza nos últimos 13 meses.

Israel atacou a faixa de Gaza em retaliação contra o grupo islamita Hamas, responsável pelos ataques de 07 de outubro de 2023, em que cerca de 1.200 pessoas foram mortas e mais de duas centenas foram feitas reféns.

“As forças israelitas levaram a cabo demolições deliberadas e controladas de casas e infraestruturas civis, incluindo em áreas onde aparentemente pretendem criar ‘zonas tampão’ e ‘corredores’ de segurança, dos quais os palestinianos serão provavelmente deslocados de forma permanente. Contrariamente ao que afirmam os responsáveis israelitas, as suas ações não respeitam as leis da guerra”, acentua a HRW.

“O Governo israelita não pode alegar que está a manter os palestinianos em segurança quando os mata ao longo das rotas de fuga, bombardeia as chamadas zonas seguras e corta-lhes os alimentos, a água e o saneamento”, disse Nadia Hardman, investigadora dos direitos dos refugiados e dos migrantes na Human Rights Watch.

No seu entender, Israel “violou de forma flagrante” a obrigação de garantir aos palestinianos o regresso a casa, “arrasando praticamente tudo em grandes áreas.”  Fonte/ LUSA