Rei de Marrocos define prioridades para 2027 d o novo Executivo do Reino

O Rei de Marrocos, Mohammed VI, presidiu, este sábado, no Palácio Real de Rabat, a uma reunião do Conselho de Ministros dedicada à análise e aprovação das orientações gerais do Projecto de Lei do Orçamento do Estado para 2027. A reunião contou igualmente com a presença do Príncipe Herdeiro Moulay El Hassan, segundo um comunicado do Gabinete Real.

O documento estabelece cinco grandes prioridades para a política económica e social do país no próximo ano, com destaque para a recuperação do poder de compra das famílias, a integração dos jovens no mercado de trabalho, o desenvolvimento territorial, a segurança dos recursos estratégicos e a mobilização de investimento para sustentar o crescimento económico.

A proposta orçamental surge num contexto internacional marcado pela instabilidade geopolítica, pelo agravamento dos custos associados aos conflitos, pelo reforço das tendências proteccionistas e pela intensificação da concorrência nos sectores da energia, tecnologia e finanças.

Na apresentação das linhas gerais do projecto, o ministro da Economia, Finanças e Desempenho Público destacou a necessidade de preservar a capacidade de resistência da economia marroquina perante as incertezas externas, mantendo o equilíbrio das contas públicas e prosseguindo os investimentos considerados prioritários.

 

Economia deverá crescer 4,7% em 2026

De acordo com as projecções apresentadas ao Conselho de Ministros, a economia marroquina deverá registar um crescimento de 4,7% até ao final de 2026. A inflação deverá situar-se em 0,7%, enquanto o défice orçamental deverá diminuir para 3% do Produto Interno Bruto (PIB).

Estes indicadores constituem o enquadramento macroeconómico para a preparação do orçamento de 2027, num momento em que as autoridades procuram conciliar a estabilidade financeira com o financiamento de políticas sociais, infra-estruturas e programas de desenvolvimento.

O comunicado do Gabinete Real sublinha que Marrocos continua a reforçar a sua capacidade de resistência económica perante as transformações do ambiente internacional, procurando preservar as condições necessárias para a execução dos seus projectos de desenvolvimento.

 

Um orçamento condicionado pela execução das reformas

As orientações apresentadas ao Conselho de Ministros procuram articular três dimensões: estabilidade macroeconómica, protecção social e transformação estrutural da economia.

Por um lado, as projecções de crescimento, inflação e défice orçamental estabelecem as referências para a gestão das finanças públicas. Por outro, os programas sociais, de emprego juvenil e de desenvolvimento territorial exigem recursos e capacidade de execução.

O desafio será transformar as prioridades anunciadas em resultados concretos para as famílias, os jovens, as empresas e as regiões, assegurando que os investimentos chegam aos destinatários e produzem efeitos económicos e sociais mensuráveis.

A mobilização de cerca de 25 mil milhões de dirhams para o desenvolvimento territorial destaca-se como um dos compromissos financeiros explicitados no comunicado, enquanto a reforma dos mercados e dos preços e o programa nacional para a juventude constituem duas das principais frentes de intervenção previstas para os próximos anos.

A reunião de 17 de Outubro marca, assim, uma etapa na preparação do orçamento marroquino para 2027, cuja execução deverá conciliar as ambições de desenvolvimento com as exigências de sustentabilidade financeira e de resposta às necessidades sociais.