O consumo de chifonchongue, uma bebida alcoólica artesanal de baixo custo e, muitas vezes, produzida sem qualquer controlo de qualidade, assiociado ao consumo de cigarro electrónico, tem vindo a preocupar famílias, educadores, profissionais de saúde e autoridades em várias zonas de Moçambique.
Por ser facilmente acessível e vendida a preços reduzidos, a bebida tem conquistado sobretudo adolescentes e jovens, expondo-os a graves riscos para a saúde. Especialistas alertam que o consumo frequente pode provocar dependência, danos no fígado, alterações do sistema nervoso, problemas mentais e comportamentos de risco, comprometendo o desempenho escolar e a integração social.
Em algumas comunidades, professores e encarregados de educação relatam casos de alunos que chegam às escolas sob o efeito do álcool, enquanto outros acabam por abandonar os estudos devido ao vício. O fenómeno é agravado pela venda indiscriminada de bebidas alcoólicas nas proximidades de estabelecimentos de ensino e pela falta de fiscalização.
Além dos efeitos na saúde, o consumo de chivonchongue está associado ao aumento da violência, da criminalidade, de acidentes e da desestruturação familiar, afetando o desenvolvimento das comunidades.
A proteção da juventude exige uma ação conjunta entre o Governo, as escolas, as comunidades, as organizações da sociedade civil e os próprios jovens, promovendo estilos de vida saudáveis e alternativas que contribuam para um futuro mais seguro.
Segundo as autoridades, há relatos de venda e consumo de drogas, bebidas alcoólicas e cigarros eletrónicos nas imediações de algumas escolas. O Executivo da Cidade de Maputo está a reforçar um plano de prevenção que inclui campanhas de sensibilização, apoio psicossocial aos alunos e revitalização de núcleos antidrogas nos estabelecimentos de ensino.
Os cigarros eletrónicos preocupam particularmente porque são vendidos em diversos sabores e embalagens apelativas, atraindo adolescentes. Perante este cenário, escolas, famílias e autoridades são chamadas a reforçar a vigilância, a educação preventiva e o acompanhamento dos estudantes, promovendo ambientes escolares livres do consumo de drogas e de produtos derivados do tabaco.
Os perigos do cigarro eletrónico

Os cigarros eletrónicos, também conhecidos como vapes, têm conquistado um número crescente de utilizadores, sobretudo entre adolescentes e jovens. Apesar de serem frequentemente apresentados como uma alternativa menos nociva ao cigarro tradicional, especialistas em saúde alertam que o seu consumo está longe de ser inofensivo.
A maioria dos cigarros eletrónicos contém nicotina, uma substância altamente viciante que pode afetar o desenvolvimento do cérebro dos adolescentes, prejudicando a memória, a concentração, a aprendizagem e o controlo das emoções. Muitos jovens tornam-se dependentes sem perceber, devido aos sabores agradáveis e à aparência moderna destes dispositivos.
Além da nicotina, o vapor inalado pode conter partículas ultrafinas, metais pesados e outras substâncias químicas que irritam e danificam os pulmões. O uso frequente está associado a tosse persistente, falta de ar, inflamação das vias respiratórias e maior risco de doenças pulmonares.
Outro motivo de preocupação é o impacto dos cigarros eletrónicos no ambiente escolar. Em várias escolas, professores têm relatado casos de alunos que utilizam os dispositivos durante os intervalos e, por vezes, até dentro das salas de aula, comprometendo a disciplina, No país, o consumo do cigarro electrónico tem vindo a crescer, sobretudo entre os adolescentes. Em alguns casos, ocorre mesmo no recinto escolar, o que levanta preocupações sobre o controlo do consumo deste e de outras substâncias psicoactivas.
Popularmente conhecidos como “vapes”, os cigarros são frequentemente vistos pelos jovens como uma alternativa menos prejudicial ao cigarro tradicional.
Em algumas escolas da cidade de Maputo, por exemplo, há relatos de estudantes que utilizam estes dispositivos dentro e nos arredores dos estabelecimentos de ensino.
o rendimento académico e a convivência entre os estudantes.
Especialistas alertam ainda que o cigarro eletrónico pode funcionar como uma porta de entrada para o consumo de cigarros convencionais, álcool e outras substâncias psicoativas, aumentando a exposição dos jovens a comportamentos de risco.
Proteger os jovens passa por fornecer informação baseada em evidências, promover estilos de vida saudáveis e criar ambientes escolares livres do consumo de tabaco, cigarros eletrónicos e outras substâncias que coloquem em risco a saúde e o futuro das novas gerações.
PGR em alerta
A Procuradoria da República da Cidade de Maputo, em coordenação com o Ministério da Educação e Cultura e o Gabinete Central de Prevenção e Combate à Droga, tem estado a realizar encontros com escolas para reforçar os Núcleos Anti-Droga e combater o consumo dessas substâncias.
Algumas escolas têm vindo a denunciar o problema internamente, mas sem divulgar comunicados públicos específicos sobre o chifonchongue e os cigarros eletrónicos.
Perante este cenário, especialistas defendem o reforço da fiscalização sobre a produção e comercialização de bebidas artesanais, campanhas permanentes de sensibilização, maior envolvimento das famílias e programas de prevenção nas escolas para travar o avanço deste problema.
A INAE por sua vez, intensificou ações de fiscalização contra a venda ilegal destes produtos, sobretudo para proteger os jovens.