Morreu hoje, no Hospital Rural de Chibuto, província de Gaza, Rosita Mabuiango, que nasceu em cima de uma árvore nas cheias de 2000. A morte ocorreu em consequência de anemia, segundo confirmou o pai à impressa.
A história da Rosita, comoveu o mundo, levando-a até ao Congresso norte-americano. “A Rosita morreu às 05:00 de hoje, mas há dois meses que andava doente de anemia”, disse à Lusa Salvador Mabuiango, o pai.
Equipas de socorro de um helicóptero militar sul-africano salvaram Rosita e Sofia Pedro, a mãe, uma hora depois do seu nascimento, sobre a árvore onde a sua mãe se refugiou, na periferia do distrito de Chibuto.
Em junho do mesmo ano, os congressistas norte-americanos aproveitaram a visita ao Congresso, nos Estados Unidos da América, da menina moçambicana, para solicitar uma ajuda suplementar para o país.
Representantes democratas exortaram Washington a aumentar a ajuda aos milhares de deslocados e sem abrigo, bem como à diminuição da dívida de Moçambique, ao mesmo tempo que Rosita, acompanhada da mãe, era apresentada como “um símbolo da esperança”.
Rosita Mabuiango, parte em plena época chuvosa, marcada por inundações em vários pontos do País, fechando de forma trágica um ciclo que começou exactamente num contexto semelhante, há 26 anos. A sua história, profundamente ligada à vulnerabilidade climática de Moçambique, projectou-a para além das fronteiras nacionais.
Apesar das carências materiais que sempre marcaram a sua vida, Rosita transformou-se numa referência. A narrativa do seu nascimento passou a integrar conteúdos pedagógicos das primeiras classes do ensino, como exemplo de sobrevivência e esperança em meio à adversidade. Ao longo dos anos, participou em várias iniciativas institucionais e viajou para o exterior com delegações governamentais, sendo apresentada como rosto humano dos impactos das calamidades naturais.
A sua última aparição em palcos internacionais aconteceu em 2022, na cidade egípcia de Sharm el-Sheikh, durante a 27.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP27). Rosita integrou a comitiva do então Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, e foi apresentada aos participantes de um painel sobre perdas e danos associados às mudanças climáticas, presidido por Moçambique.
Lusa/ Dossiers &Factos/Zebrando





