AfWID quer maior engajamento dos países na vida do movimento

A AfWID que terminou esta semana, em Johannesburgo, África do Sul,  a reunião de avaliação das actividades do movimento desde o primeiro encontro em 2018, quer maior engajamento das participantes nos seus países, por forma a dar maior visibilidade à organização.

O encontro que decorreu de 24 a 27 de Janeiro, discutiu questões importantes relacionadas com a sustentaabilidade, governação, mobilização de recursos, modelos de participação e o contributo que os participantes podem dar para a consolidação da organização a nível de cada país.

Com o encontro de 2026, em número bastante reduzido de participantes, a AfWID pretendia identificar o que deve ser reforçado, adaptado, abandonado  ou re-imigrado para garantir a relevância e a sua sustentabilidade fututra, assim como a sua consolidação como um movimento pan-africano, assente em liderança partilhada, responsabilidade colectivas e mecanismos de prestação de contas.

Dentre as principais orientações saidas do encontro, destacam-se as seguintes:

  • A AfWID deve enviar uma carta para a União Africana, repudiando o uso das mulheres como instrumento sexual, em quase todos os conflitos armados que afectam o continente.
  • A AfWID deve fazer-se presente em todos os 54 paises africanos, através de actividades e troca de experiência.
  • Há necessidade de criação de um fundo para apoiar iniciativas locais, orientadas para o empoderamento feminino.
  • Há necessidade de criação de um escritório regional da AfWID, o que vai permitir que o movimento levante a sua voz, a favor das mulheres africanas nas reuniões das Nações Unidas.
  • Orientou-se para criação de uma plataforma digital em cada país, para partilha de experiências e histórias.
  • A AfWID deve privilegiar maior envolvimento de jovens nas actividades da AfWID.
  • As participantes orientaram a AfWID a trabalhar no sentido de conquistar espaço e fazer valer a sua voz, no seio da União Africana e advogar para o fim da guerra no sudão e no Sahara do Leste.
CEO da WDB, Riah Phiyega.

O discurso de abertura foi feito pela CEO da WDB, Riah Phiyega, que começou por explicar que a AfWID foi fundada pela Zanele Mbeki, antiga primeira-dama da África do Sul, com o objectivo de influenciar o movimento das mulheres. “Este movimento é um presente para o continente, porque através dele, elas aprendem a não aceitar o mundo como ela apresenta-se. A mulher não deve aceitar aquilo que não pode mudar”, disse.

Riah Phiyega, defende que as mulheres devem continuar a defender políticas de capacitação económica, política-social e noutros domínios. “Temos de desafiar as barreiras sistémicas que obstaculizam o nosso progresso e temos de nos unir na nossa luta contra a exclusão e a violência baseada no género”.

Disse que o espaço foi criado para as mulheres partilharem os seus conhecimentos e experiências, acrescentando que tem sido fascinante ver o número de mulheres que nunca haviam viajado, partilhando confortavelmente as suas experiências e sendo ouvidas. O espaço também foi criado para elevar a consciência crítica, especialmente em questões contestadas de sexualidade e aborto.

Riah Phiyega é a CEO da Women Development Business Trust (WDB), que se concentra em capacitar mulheres empreendedoras em toda África. Acrescentou que o envolvimento das mulheres africanas, incluindo moçambicanas no AFWID, exemplifica o progresso na representação feminina em espaços de decisão e diálogo internacional. O fórum não permite apenas um aprendizado mútuo entre delegadas de diferentes países africanos, mas também fortalece a capacidade das mulheres de influenciarem políticas, liderarem mudanças e promoverem a paz em contextos locais e continentais. 

Entretanto, as participantes avaliaram positivamente as conferênias da AfWID, por

proporcionarem troca de experiências e fortalecimento da voz feminina, permitindo a construção de políticas sobre a perspectiva de género, inclusão e diversidade social. Para a CEO da WDB,  observa-se um paralelo entre as iniciativas da AfWID e a necessidade de integrar efectivamente a participação feminina no Diálogo Nacional Inclusivo, em curso em Moçambique, garantindo que as demandas de diferentes grupos de mulheres sejam reflectidas em reformas políticas e sociais.

Mensagem da fundadora da AfWID

Zanele Mbeki, antiga Primeira-dama da África do Sul.

A presidente e fundadora da AfWID, Zanele Mbeki, endereçou uma mensagem às participantes, enfatizando a importância de um espaço onde as mulheres africanas possam definir sua própria agenda, sem estar sujeitas a moldes externos. Mbeke observou que, durante a Conferência do Fórum Econômico Mundial em Davos, líderes globais abordaram questões cruciais sem a limitação de um roteiro. Isso a levou a criar a AfWID, uma plataforma que permite às mulheres africanas, de todas as faixas de vida, compartilhar suas experiências e criar soluções que promovam um futuro mais equitativa e inclusiva.

Agradeceu a todos os participantes por terem cedido o seu tempo, as suas histórias, as suas verdades e muito mais. Aos patrocinadores, parceiros e partes interessadas, agradeceu o apoio e a confiança no AfWID. O mesmo reconhecimento foi à equipa organizadora da AfWID, que conseguiu mais uma vez, organizar o encontro de avaliação.

Segundo Zanele Mbeki, “o valor de qualquer diálogo não está em nos  congratularmos por um trabalho bem-feito, está no que acontece depois. Quando tantas participantes escreveram, enviaram e-mails e mensagens de voz a partilhar o impacto que sentiram e o que pretendem fazer nos seus países e comunidades, soubemos que a AfWID tem cumprido aquilo a que nos propusemos desde o início”.