Benedita Maria Guimino entra para a história do sistema financeiro moçambicano ao tornar-se a primeira mulher a assumir o cargo de vice-governadora do Banco de Moçambique. A sua nomeação representa um marco na crescente participação feminina nos mais altos níveis de decisão das instituições económicas e financeiras do país.
Com formação e experiência profissional alinhadas aos desafios do sector, Guimino chega ao topo de liderança do Banco Central num momento de profundas transformações, marcado pela digitalização, inovação financeira e necessidade de ampliar a inclusão.
Ao assumir o cargo, a nova vice-governadora apresenta uma agenda que combina modernização tecnológica, inteligência artificial, inclusão financeira, reforço dos sistemas de pagamentos e maior utilização do Metical nas transacções regionais.
A sua chegada à liderança do Banco de Moçambique não representa apenas uma mudança na composição da direcção da instituição, mas também um sinal de abertura de novos espaços para a liderança feminina na gestão da economia nacional.
No primeiro contacto com a imprensa após a tomada de posse, Benedita Guimino apontou a digitalização, inovação tecnológica e inteligência artificial como prioridades para modernizar o Banco de Moçambique e ampliar o acesso aos serviços financeiros.
A nova vice-governadora defende que a transformação digital deve beneficiar toda a economia, aproximando produtores, comerciantes, consumidores e instituições financeiras.
“Capitalizar o que já foi feito, melhorar e olharmos para a frente”, resumiu Guimino, defendendo uma estratégia que alia continuidade e modernização.
A vice-governadora defende que a digitalização deve caminhar lado a lado com a inclusão financeira, sobretudo para micro, pequenas e médias empresas, jovens, mulheres empreendedoras e produtores.
Para Guimino, serviços financeiros mais simples, rápidos e acessíveis, adaptados às necessidades dos diferentes agentes económicos, podem facilitar o acesso ao sistema financeiro, incluindo fora dos grandes centros urbanos.
Benedita Guimino coloca a estabilidade de preços e financeira no centro da sua agenda, defendendo uma supervisão mais robusta para acompanhar os novos riscos trazidos pela digitalização.
No combate ao branqueamento de capitais, a vice-governadora defende maior coordenação entre o Banco de Moçambique, o GIFiM e os bancos comerciais, através da partilha de informação e capacitação dos quadros.
Guimino assume, assim, o desafio de impulsionar a inovação sem comprometer a estabilidade do sistema financeiro.
A gestora experiente que acompanhou a modernização do Metical

Nascida em Inhambane, em 1972, Benedita Maria Guimino é igualmente doutoranda em Economia, mestre em Economia do Desenvolvimento (2010) e licenciada em Economia (2001) pela Universidade Eduardo Mondlane.
O seu percurso, no entanto, distingue-se pela forte componente operacional e administrativa dentro do Banco de Moçambique, onde é quadro desde 1999, quando foi admitida como técnica de Emissão e Circulação Monetária.
A sua carreira é marcada por uma ascensão consistente. Em 2019, foi nomeada administradora do Banco de Moçambique, tendo dirigido, cumulativamente, os pelouros de Serviços Administrativos e Património, e Serviços Financeiros e Recursos Humanos. De 2020 a 2022, passou a responder apenas pelo pelouro de Serviços Administrativos e Património e, actualmente, dirige o pelouro de Estabilidade Financeira, uma área sensível e prioritária para a solidez do sistema bancário nacional.
Antes da sua nomeação como administradora, Guimino foi directora do Departamento de Emissão e Tesouraria (2014 a 2018) e directora do Departamento de Sistemas de Pagamento (2018 a 2019), acumulando funções com o Departamento de Emissão de Moeda e o Departamento de Tesouraria. De 2006 a 2014, foi Assistente de Direcção da Divisão de Emissão e Circulação Monetária.
Em 2006, foi-lhe atribuído um Diploma de Mérito pelo seu papel na introdução da nova família do Metical, um processo que exigiu elevado rigor técnico e coordenação logística. Representou ainda o Banco de Moçambique como administradora não executiva da Sociedade Interbancária de Moçambique (SIMO), entre 2017 e 2018.