O Presidente da FRELIMO e Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, encerrou a Conferência Nacional de Quadros, em Chimoio, com um apelo à renovação interna do partido, ao combate à corrupção e à transformação das decisões tomadas no encontro em resultados concretos para as comunidades.
Num dos momentos mais fortes do discurso, o líder da FRELIMO recorreu à imagem de uma árvore para explicar a necessidade de afastar comportamentos que considera prejudiciais à organização. “Não hesitaremos em abanar a árvore até que o fruto podre caia, porque a FRELIMO tem muitos membros bons.”
A declaração representa uma defesa de maior disciplina interna e de uma postura mais rigorosa perante comportamentos que possam comprometer a credibilidade do partido.
Chapo também criticou o que classificou como comportamento de “lambe-botas”, afirmando que a organização deve valorizar o trabalho e a responsabilidade, e não a bajulação.
No discurso de encerramento, Chapo afirmou que a conferência não deve terminar com compromissos no papel, defendendo que as conclusões dos debates sejam levadas às comunidades e convertidas em acções capazes de produzir benefícios concretos para os moçambicanos. “A Conferência Nacional de Quadros chega ao fim, mas o trabalho começa agora”, afirmou.
Para o dirigente, a força da FRELIMO está na sua relação com a população, razão pela qual apelou aos quadros para reforçarem a ligação com as comunidades e explicarem ao povo as decisões e orientações saídas da conferência.
Um dos pontos centrais do discurso foi a necessidade de uma nova fase de renovação interna da FRELIMO. Chapo anunciou aquilo que classificou como uma “nova era”, assente na correcção de práticas que considera incompatíveis com os princípios do partido.
O Presidente deixou uma mensagem dura contra a corrupção e outras práticas criminosas, defendendo que os membros que cometerem crimes devem responder individualmente pelos seus actos, sem que a responsabilidade seja atribuída à organização.
“Na FRELIMO não queremos corruptos. Não há lugar para ladrões. Não queremos traficantes de drogas”, declarou.
Na mesma linha, afirmou que o partido não deve transformar-se num espaço de protecção para pessoas envolvidas em práticas criminosas. “A FRELIMO não é santuário de criminosos”, advertiu.
Chapo rejeitou, entretanto, a ideia de uma “caça às bruxas”, defendendo que a responsabilização deve incidir sobre quem pratica actos ilícitos, sem generalizações.
Poder ao serviço do cidadão
Outro eixo do discurso foi a relação entre o exercício do poder e o serviço público.
Chapo defendeu que as responsabilidades atribuídas pelo partido e pelo povo não podem ser utilizadas para humilhar ou prejudicar os cidadãos.
“O poder que é conferido pelo partido e pelo povo não pode ser usado para humilhar o povo”, afirmou.
Para o Presidente, quem assume uma função pública deve colocá-la ao serviço dos cidadãos, numa lógica de responsabilidade e compromisso com o desenvolvimento do país.
A mensagem política de Chimoio esteve igualmente ligada ao desafio da independência económica de Moçambique. O Presidente defendeu uma economia capaz de criar condições para que os cidadãos prosperem através do trabalho honesto, lícito e transparente.
Segundo Chapo, a independência económica deve traduzir-se em oportunidades concretas para os moçambicanos, incluindo emprego, rendimento, produção e melhoria das condições de vida.
A preocupação, explicou, não deve limitar-se aos indicadores económicos, mas reflectir-se directamente na vida das comunidades.
Ao encerrar a conferência, Chapo procurou transformar as decisões políticas em uma agenda de implementação.
“Por isso, o trabalho começa agora”, declarou, apelando aos quadros para regressarem às comunidades e levarem consigo as mensagens e conclusões do encontro.
O desafio lançado é fazer com que os debates realizados em Chimoio ultrapassem as salas da conferência e cheguem ao cidadão comum.
“Levai a mensagem da Conferência. Explicai ao povo aquilo que debatemos e aquilo que queremos fazer”, orientou.
História e renovação
Chapo procurou também enquadrar a renovação proposta dentro da própria história da FRELIMO.
Para o Presidente, renovar não significa romper com o passado, mas retirar lições da experiência acumulada, corrigir erros e preparar a organização para os desafios do futuro.
“A nossa história confere-nos experiência. O futuro exige-nos renovação”, afirmou.
O discurso de encerramento deixou, assim, como principais mensagens a disciplina interna, o combate à corrupção, a responsabilização individual, a aproximação às comunidades e a necessidade de transformar decisões políticas em resultados.