Uma eventual expansão do conflito poderá não representar uma ameaça militar directa ao país, mas poderá afectar a segurança marítima, os combustíveis, o comércio e o custo de vida.
A ameaça do Irão de estender o actual conflito para o Oceano Índico coloca a região sob maior atenção internacional e pode ter consequências indirectas para Moçambique.
O alerta foi feito pelo conselheiro militar do líder supremo iraniano, Yahya Rahim Safavi, que afirmou que, caso os Estados Unidos retomem os ataques contra o Irão, o conflito poderá avançar do Golfo Pérsico e do Mar Vermelho para o Oceano Índico.
A referência ao Índico está relacionada, sobretudo, com a possibilidade de atingir interesses militares dos Estados Unidos e dos seus aliados na região, incluindo a base militar de Diego Garcia, utilizada pelos EUA e pelo Reino Unido.
Segundo especialistas na matéria, até ao momento, não há indicação de que Moçambique seja um alvo militar do Irão.A ameaça iraniana está principalmente relacionada com os Estados Unidos e com as suas instalações e interesses estratégicos no Oceano Índico.
No entanto, Moçambique poderá sentir os efeitos de uma eventual escalada porque possui uma extensa costa no Índico e depende do transporte marítimo para uma parte significativa das suas importações e exportações.
O aumento do preço dos combustíveis poderá ser um dos efeitos mais sentidos pela população. Pode provocar perturbações no transporte internacional de petróleo e gás, aumentando os custos de energia, transporte marítimo e seguros.
Para Moçambique, isso poderá significar pressão sobre os preços dos combustíveis e dos transportes, com possíveis reflexos no preço de alimentos e outros produtos.
Moçambique possui uma extensa costa no Oceano Índico e importantes portos, incluindo Maputo, Beira e Nacala. Se o conflito se aproximar das principais rotas marítimas do Índico, poderá aumentar a necessidade de vigilância e segurança dos navios comerciais.
Isso não significa que os portos moçambicanos estejam sob ameaça de ataque, mas poderão passar a receber maior atenção das autoridades e das empresas internacionais de navegação.