“Nyusi deixou-me tomar as decisões que tinham de ser tomadas”

O governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, afirmou que não conhecia pessoalmente o então Presidente da República, Filipe Nyusi, quando foi convidado para assumir a liderança do banco central, em 2016. Falando aos jornalistas no final da reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), realizada ontem em Maputo, ao mesmo tempo que fez o balanço dos quase dez anos à frente do banco central, Zandamela revelou que regressou ao país após cerca de 40 anos no estrangeiro e desconhecia a realidade política, económica e social de Moçambique.

Ao fazer um balanço do seu mandato, Zandamela explicou que aceitou o desafio de dirigir o Banco de Moçambique depois de um convite de Filipe Nyusi, apesar de nunca ter tido contacto pessoal com o chefe de Estado.

“Eu não conhecia o Presidente Filipe Nyusi. Nunca tinha trabalhado com ele e estava fora de Moçambique há cerca de 40 anos. Não conhecia a realidade do país como ela era naquele momento”, afirmou.

O governador contou que, no primeiro encontro, Nyusi transmitiu-lhe uma orientação que marcou a sua atuação à frente da autoridade monetária: tomar as decisões que considerasse necessárias para defender o interesse do país e a estabilidade do sistema financeiro.

Segundo Zandamela, essa confiança foi determinante para o exercício das suas funções, sobretudo num período em que o setor bancário enfrentava desafios significativos, incluindo a intervenção no Moza Banco e a liquidação do Nosso Banco.

O governador destacou ainda que encontrou um ambiente político favorável ao desempenho das suas responsabilidades, afirmando que a classe política, de um modo geral, não interferiu no trabalho do Banco de Moçambique.

“Encontrei uma classe política que não complicou a minha vida. O próprio Presidente Filipe Nyusi deixou-me trabalhar e tomar as decisões que tinham de ser tomadas”, declarou.

Para Zandamela, essa postura permitiu que o banco central atuasse com independência técnica em momentos particularmente sensíveis para a economia nacional, preservando a estabilidade do sistema financeiro e a credibilidade da instituição.

“Sou grato pela oportunidade de voltar a Moçambique para aprender”

Rogério Zandamela afirmou ainda que se sente grato pela oportunidade que lhe foi concedida de regressar a Moçambique para servir o país, depois de cerca de quatro décadas de carreira no estrangeiro.

Segundo o governador, o regresso representou não apenas um desafio profissional, mas também uma oportunidade de conhecer de perto a realidade moçambicana, que admitiu desconhecer devido ao longo período em que esteve fora do país.

“Sou grato pela oportunidade que tive de voltar a Moçambique para aprender”, afirmou, sublinhando que o exercício das funções à frente do Banco de Moçambique lhe permitiu compreender melhor os desafios económicos, institucionais e sociais do país.

Zandamela considerou que a experiência foi enriquecedora tanto no plano profissional como pessoal, destacando que regressou ao país com uma vasta experiência internacional, mas consciente de que teria de aprender e adaptar-se ao contexto moçambicano para exercer eficazmente as suas responsabilidades.