O Governo moçambicano lamenta não ter recebido até hoje, qualquer comunicação formal da Mozal sobre à alegada cessação de contratos de trabalho na empresa.
A Fundição de alumínio Mozal, localizada na província de Maputo, que opera no país desde 2000, será tecnicamente encerrada a partir de 15 de Março deste ano, implicando custos únicos estimados em 60 milhões de dólares, relativos à cessação de contratos e compensações laborais. A manutenção anual subsequente deverá custar cerca de 5 milhões de dólares.
Contudo, o executivo garante que está a monitorar a evolução da situação e continuam a envidar esforços para evitar o encerramento da empresa.
A posição foi tornada pública, em Maputo, pelo porta-voz do Ministério do Trabalho, Género e Acção Social, Baltazar Domingos, ao reagir às informações que dão conta de uma possível paralisação das actividades da empresa.
Segundo o responsável, decorrem contactos e diligências para salvaguardar os postos de trabalho de mais de mil colaboradores directos e cerca de quatro mil trabalhadores ligados a empresas subcontratadas.
Por seu turno, o secretário-geral da Organização dos Trabalhadores de Moçambique Central-Sindical (OTM-CS), Damião Simango, advertiu que a não obtenção de consensos entre o Executivo e a multinacional poderá ter impactos profundos na economia nacional.
De acordo com Simango, a Mozal contribui com cerca de quatro por cento para o Produto Interno Bruto, sendo uma das maiores unidades industriais do país. Alertou ainda que uma gestão inadequada do processo poderá expor fragilidades estruturais do modelo económico moçambicano, marcado pela forte dependência de megaprojectos, fraca integração nacional e limitada cadeia de valor interna.
A decisão do encerramento da mineradora sul-africano-australiana, que detém 63,7% da Mozal Aluminium, surge na sequência de prolongadas negociações com o Governo, com a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) e com a Eskom da África do Sul, sem que tenha sido possível assegurar um novo contrato de fornecimento de energia viável para a continuidade das operações após o termo do acordo actual, em Março de 2026.
Segundo o presidente executivo da South32, Graham Kerr, citado num comunicado “O impasse em torno de um preço de electricidade adequado foi agravado pelas condições de seca que continuam a afectar o fornecimento energético da HCB”.
Sem novo contrato em vista, a empresa também não procedeu à aquisição de matérias-primas necessárias para manter a produção após Março do prsente ano,





