Memorando assinado em Houston com a Câmara de Comércio Texas-África aposta no investimento, transferência de tecnologia e integração das MPME nas cadeias globais de fornecimento
A aproximação entre o sector privado moçambicano e o mercado norte-americano ganhou novo impulso com a assinatura, em Houston, de um Memorando de Entendimento entre a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) e a Câmara de Comércio Texas-África (TXACC). O acordo pretende criar novas oportunidades de investimento e negócios e facilitar a entrada de empresas moçambicanas nas cadeias internacionais de fornecimento.
Assinado no dia 6 de Agosto, no âmbito do Fórum de Negócios EUA-Moçambique e da Missão Empresarial aos Estados Unidos da América organizada pela CTA, o Memorando estabelece uma plataforma de cooperação destinada a aproximar empresários dos dois países e a estimular parcerias estratégicas.
Uma ponte entre Moçambique e o Texas
O entendimento prevê a promoção do comércio bilateral e do investimento directo estrangeiro, bem como a expansão de empresas moçambicanas e norte-americanas para novos mercados.
Entre os compromissos assumidos pelas duas instituições estão a capacitação de empreendedores e de micro, pequenas e médias empresas (MPME), a partilha de informações sobre oportunidades de negócios e inteligência de mercado e o estabelecimento de redes de contactos estratégicos.
A parceria prevê igualmente maior articulação entre instituições públicas e privadas, procurando contribuir para a criação de um ambiente de negócios mais favorável ao investimento.
Energia, petróleo e gás, infra-estruturas, indústria transformadora, agricultura, tecnologias de informação, energias renováveis e formação profissional estão entre os sectores considerados prioritários.
Para a CTA, a cooperação com a TXACC poderá representar uma porta de entrada para empresas nacionais interessadas em participar nas cadeias globais de fornecimento, sobretudo num momento em que Moçambique procura aumentar o conteúdo local associado aos grandes projectos de investimento.
O desafio de cumprir padrões internacionais
A missão empresarial da CTA incluiu também uma visita à Halliburton, em Houston, uma das grandes empresas mundiais de serviços para a indústria de petróleo e gás.
O encontro permitiu à delegação moçambicana conhecer o modelo de negócios da empresa, as suas operações internacionais e, sobretudo, os requisitos necessários para que empresas nacionais possam tornar-se fornecedoras.
A Halliburton apresentou a sua estratégia “Locally Developed & Locally Sourced”, orientada para o desenvolvimento e aquisição local de bens e serviços nos países onde opera.
Em Moçambique, a empresa está associada ao projecto Rovuma LNG, no norte do país, onde a participação de fornecedores nacionais poderá representar uma importante oportunidade para o desenvolvimento do sector privado.
O que as empresas precisam de ter
Apesar das oportunidades, a integração nas cadeias de fornecimento das grandes empresas internacionais exige que as empresas moçambicanas cumpram padrões rigorosos.
Entre os principais requisitos apresentados pela Halliburton estão elevados padrões de Saúde, Segurança e Ambiente (HSE), sistemas de gestão da qualidade, capacidade operacional comprovada, conformidade legal e fiscal, instalações adequadas, equipamentos certificados e recursos humanos qualificados.
O processo de qualificação começa com a manifestação de interesse da empresa, seguindo-se a avaliação técnica e documental, a pré-qualificação e, posteriormente, a inclusão na base de fornecedores elegíveis.
Para as MPME moçambicanas, conhecer antecipadamente estes requisitos poderá ser determinante para aumentar as possibilidades de acesso aos grandes contratos ligados à indústria de petróleo e gás.
Conteúdo local ainda é desafio
A visita à Halliburton colocou em evidência um dos grandes desafios do sector empresarial moçambicano: transformar as oportunidades criadas pelos grandes investimentos em benefícios concretos para as empresas nacionais.
Para a CTA, não basta a existência de grandes projectos. É necessário que as empresas moçambicanas estejam preparadas para responder às exigências técnicas, financeiras, legais e de qualidade impostas pelos grandes operadores internacionais.
A Confederação defende, por isso, o reforço da capacitação empresarial, da certificação, dos sistemas de gestão e do cumprimento das normas internacionais.
A aposta é fazer com que mais empresas nacionais deixem de ser apenas potenciais beneficiárias do conteúdo local e passem a integrar, de forma efectiva e sustentável, as cadeias de valor dos grandes projectos.
Uma oportunidade para Cabo Delgado
A CTA considera que a aproximação às grandes empresas internacionais poderá acelerar a participação das pequenas e médias empresas moçambicanas nos projectos em Cabo Delgado, particularmente no sector de petróleo e gás.
O acesso a informação sobre processos de contratação, requisitos técnicos e oportunidades de fornecimento poderá permitir às empresas nacionais preparar-se melhor e competir por contratos.
Mais do que uma missão empresarial, a deslocação aos Estados Unidos procurou, assim, criar pontes entre o sector privado moçambicano e um dos mercados mais desenvolvidos do mundo.
O desafio, a partir de agora, será transformar os memorandos, contactos e oportunidades identificadas em contratos, investimentos, transferência de tecnologia, criação de emprego e desenvolvimento efectivo das empresas moçambicanas.