Moçambicana é vítima de ataque racista em Dresden-Alemanha

De acordo com o primeiro relatório do governo alemão sobre racismo, publicado em 2023, 90% dos entrevistados reconheceram que a discriminação racial é um problema naquele país europeu.

Uma moçambicana de 60 anos, residente na cidade Alemã de Dresden, sofreu no sábado, um ataque racista, protagonizado por um homem de raça branca. Para alem de agressão física, o homem partiu o telefone da vítima enquanto proferia palavras como o que é que a senhora procura aqui na Alemanha.

A filha da vítima, que é jornalista numa estação de televisão naquele país, explicou que a mãe reside na Alemanha desde 1984 e, na mesma cidade de Dresden. “Esta era uma cidade relativamente calma, mas nos últimos anos o ódio contra pessoas não da raça branca aumentou”, disse a filha, salientando que esta situação deixa feridas profundas, visíveis e não visíveis.

A mulher agredida é enfermeira e foi vítima do ataque quando passeava pela cidade de Dresden. “Quando a minha mãe sofreu o ataque, trazia flores na bolsa porque pretendia depositá-los na praça Jorge Gomondai, construída em homenagem de Jorge Gomondai, moçambicano que perdeu a vida em 1991, naquela cidade, vítima do racismo”, disse.

Lembre-se que Gomondai, natural da província de Manica, foi assassinado por um grupo de extrema-direita por motivos raciais. Jorge Gomandai encontrava-se na Alemanha desde 1981, para onde fora ao abrigo dos contractos de trabalho que levaram outros milhares de moçambicanos para aquele país.

A filha da vítima, apela para uma maior divulgação deste tipo de acontecimentos, que tem sido recorrente naquele país, nos últimos tempos. “Estes incidentes não devem ser relatados apenas pela polícia, mas devem ser tratados na média e no meio político”, exorta.

O racismo é onipresente na Alemanha

O racismo é onipresente na Alemanha: quase um em cada cinco habitantes do país já foi vítima desta forma de discriminação, revelou um estudo inédito divulgado nesta quarta-feira (11/01). De acordo com o primeiro relatório do governo alemão sobre racismo, 90% dos entrevistados reconheceram ainda que esse tipo de preconceito é um problema no país.

Os dados constam do primeiro relatório oficial do país, sobre essa forma de discriminação, apresentado ano passado, pela Comissária federal alemã para o Antirracismo, Reem Alabali-Radovan, que destaca no mesmo documento, a necessidade de se reconhecer o racismo estrutural existente na sociedade alemã e de melhorar o apoio destinado às vítimas.

“O racismo não é um conceito abstrato, mas uma realidade dolorosa para muitos em nossa sociedade”, afirmou Alabali-Radovan. “É uma grande ameaça à democracia, pois ataca a dignidade humana que é garantida pela Constituição”, acrescentou.

O relatório mostrou que 22% dos entrevistados afirmaram já ter sido vítima de racismo. O documento destacou ainda que, em 2022, as estatísticas oficiais mostram que, entre os 1.042 crimes de motivação política registrados, dois terços eram de natureza racista. O estudo pontua, porém, que serviços de aconselhamentos independentes receberam ao menos 1.391 denúncias de ataques físicos.

 

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