Filipe Nyusi defende protecção dos oceanos para garantir o bem estar das próximas gerações

Participam do evento, cerca de mil figuras mundiais, entre políticos, diplomatas, empresários, académicos e estudiosos de várias áreas transversais ligadas ao mar.

A protecção dos oceanos constitui um elemento privilegiado para o alcance dos Objectivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), por forma a que as acções presentes não ameacem o bem-estar das gerações vindouras.

Esta afirmação é do Presidente da República, Filipe Nyusi, durante a abertura hoje (18 de Novembro), em Vilankulo, Inhambane, da segunda edição da Conferência Crescendo Azul.

O Chefe do Estado mencionou entre vários fenómenos que constituem uma preocupação global, a utilização indevida dos recursos, o que origina a destruição dos habitat. Destacou actos de poluição, perda de biodiversidade, pesca excessiva, alterações climáticas e pressão sobre mares, decorrentes do crescimento da população em zonas costeiras, o que pressiona a capacidade dos oceanos no seu papel vital, para o bem-estar da humanidade    

Para Filipe Nyusi os oceanos, como reguladores do clima e de temperatura, devem ser entendidos como património comum da humanidade, um elemento crítico da continuidade da vida humana, a par de serem fornecedores de alimentos e de sustento de milhões de pessoas.

Segundo o Presidente, o lema da conferência “Investir na saúde dos oceanos é investir no futuro do planeta”, significa que, a partir deste distrito, se orientem abordagens para que a valorização da importância estratégica do Mar, seja concretizada, por uma gestão sustentada das zonas marítimas.

O continente africano tem 54 países, dos quais 38 são costeiros numa área costeira sob jurisdição conjunta de cerca de 13 milhões de quilómetros quadrados.

Por esta razão, o estadista sustentou que a cooperação entre nações deve partir pela ractificação e implementação de um quadro legal regional e internacional, do qual destaca-se a Convenção de Abidjan de 1981 para os países da Costa do Atlântico, Convenção de Nairobi, de 1985, revista em 2010 , relativa aos países do oceano Índico, segurança marítima através do Código de Conduta de Djibuti de 2009, Código de Conduta de Yaoundé, de 2013 bem como os compromissos assumidos em Paris e, muito recentemente, na Cop 26, de Glaskow.

Nenhum estado deve agir isolado

Presidentes de Moçambique e do Kenia, visitando exposição na conferência de Vilanculos.

Para o estadista queniano, Uhuru Kenyatta que participa no evento como convidado de honra, na discussão de assuntos relacionados com o uso sustentável de recursos marinhos, cujo objectivo é o uso sustentável, nenhum Estado deve agir isolado.

A título de exemplo, fala do facto de o seu país estar a co-organizar, com Portugal, a Conferência Internacional dos Oceanos, a decorrer em Junho próximo, em Lisboa.

Salientou que apesar da experiência acumulada do seu país, na gestão do oceano vê Moçambique como modelo, sobretudo por ter criado um Ministério do Mar.

Peter Thomson, enviado especial do Secretário Geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou, em video gravado, que o que os países necessitam, incluindo Moçambique,é a mobilização de recursos para reverter o actual cenário da degradação de ecossitemas marinhos, caracterizado sobretudo pela queima de combustíveis fósseis, acentuados níveis de poluição entre outros males.

“O que nós queremos neste momento são milhões e milhões de dólares para reduzir os níveis de degradação que acontecem no planeta, apostando em formas como aposta na pesquisa científica, e uso de novas tecnologias”, disse.  

Participam do evento, cerca de mil figuras mundiais, entre políticos, diplomatas, empresários, académicos e estudiosos de várias áreas transversais ligadas ao mar.

O evento, decorre em formato híbrido (cerca de 400 de forma presencial e os restantes virtualmente), sob o lema “Investir na Saúde do Oceano, é Investir no Futuro do Planeta”.

A conferência tem como objectivo discutir a governação sustentável do mar e o desenvolvimento da Economia Azul2, um conceito que se resume no uso sustentável dos recursos marinhos, num ciclo em que nada se perde, tudo se reutiliza.

São temas de discussão os progressos alcançados e modelos em curso em países com historial de sucesso na implementação de diferentes áreas de Economia Azul, trabalhos e directivas de organizações regionais, bem como estratégias e programas dos países da região do Oceano Índico Ocidental.

A conferencia tem sessões plenárias e paralelas dedicadas a temas específicos, orientados na dimensão ambiental, socioeconómica e de governação do mar. Haverá ainda eventos semelhantes temáticos, para além de exposição-feira.

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