17 anos sem a carismática cantora Zaida Chongo

Foi a 4 de Junho de 2004 que os moçambicanos receberam a triste notícia da morte de uma uma das mais carismáticas cantoras e bailarinas na sua história. Sim, na sua história, porque ela marcou uma geração. Mas porque o azar não caminha só, um ano mais tarde, a 2 de Julho, morria o seu marido, Carlos Chongo, também vítima de doença. Era o fim da história do casal mais badalado da música ligeira moçambicana.

As músicas de Carlos e Zaida Chongo apostaram sempre em conteúdos de crítica social que fizeram com que conquistassem popularidade aliada à sua forte presença em palco e ao teor das suas composições.

Sobre o seu percurso artistíco, Zaida Chongo iniciou-se como bailarina de Carlos Chongo na década de 1980 e, através do já falecido apresentador de televisão e promotor de eventos culturais Victor José, o casal gravou, pela primeira vez um espectáculo ao vivo sob a direcção dos produtores do Kuxa-kanema.

Em 1992 a dupla gravou o primeiro sucesso, com o título “Kiribone”, em fita magnética nos estúdios da Rádio Moçambique (RM). Com esta música a dupla atingiu sucesso nas paradas musicais nacionais. Seguiu-se depois a gravação do seu primeiro álbum em cassete, com dez temas originais, todos eles compostos por Carlos Chongo.

Em 1997, a extinta editora Orion-Trading convidou o casal, que abandonou a RM, a gravar o seu primeiro CD denominado “Sibo”. A partir desse ano, tornou-se tradição que Carlos e Zaida Chongo lançassem anualmente um disco, com destaque para, “Alfândega” e “Drenagem”.

Estes registos discográficos são feitos numa altura em Zaida Chongo já vinha conquistando vários prémios nos concursos musicais moçambicanas, nomeadamente “Top Feminino” e “Ngoma Moçambique”.

Nos anos seguintes passaram para a editora Vidisco, onde registaram o álbum “Matekaway”. Nessa altura também a filha do casal Tânia Chongo já mostrava inclinação para a música e registou alguns temas ao lado do seu pai.

Ainda pela editora Vidisco, foi lançado um DVD intitulado “África ao Vivo”, um resumo dos espectáculos musicais realizados pela dupla no espaço cultural Cine-África, na cidade de Maputo, nos tempos do programa de promoção musical “A Quinta no África”.

Desde o início da década de 1990 Carlos e Zaida Chongo acompanhados pela sua banda fizeram digressões um pouco por todo o país e noutras paragens do mundo, em países como África do Sul e Alemanha.

Zaida Chongo morreu vítima de doença a 4 de Junho de 2004 e um ano mais tarde, a 2 de Julho de 2005, Carlos Chongo morria também por causa de uma enfermidade. A morte do casal deixou a música moçambicana de luto.

Lembra-se que a cidade de Maputo parou no dia do funeral de Zaida Chongo, com milhares de municepes perfiladas pela ruas para ver o cortejo fúnebre, enquanto outras esperavam no cemitério de Lhanguene, onde descansam os seus restos mortais.

Discos gravados

– Sifa si Lhile (2004) – Editora Vidisco

– Matekaway (2003) – Editora Vidisco

– Alfândega (1999) – Editora Orion Trading

– Drenagem (1998) – Editora Orion Trading

– Toma que te dou (1997) – Editora Orion Trading

– Sibo (1997) – Editora Orion Trading

Texto publicado no Notícias e adaptado pela Zebra.

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