Incutir nas crianças atitudes reconciliatórias

Ana Maria Nhampule, Doutora em Educação-Curricular defende a necessidade de se incutir nas crianças atitudes reconciliatórias, a partir de casa quando se desentendem entre irmãos ou com os pais. Entende ainda que a escola desempenha um papel importante no processo de paz e reconciliação.

Em entrevista a Revista ÁGORA, Ana Nhampule explicou que a escola deve ser o ponto de partida em todos os níveis. “As crianças devem ser ensinadas que viver em paz não é apenas a ausência da guerra, mas também estarem satisfeitas consigo mesmas e com os outros é sinónimo de paz”, disse, salientando ainda que as crianças devem saber que a sua satisfação não depende só da realização das suas necessidades materiais.

Para Professora Ana Nhampule, que é Vice-Reitora da Universidade Joaquim Chissano, o indivíduo, enquanto criança, tem de estar preparado para compreender a razão dessas limitações, pois somente assim poderá trabalhar na perspectiva de reduzir essas limitações e avançar para a satisfação das suas necessidades.

“A verdadeira reconciliação passa pela compreensão mútua e é nisso que a escola deve se focar, desde o primário até o ensino superior. A sociedade precisa saber que os caminhos para a solução que qualquer que seja o problema, não são fáceis e nem são de alcance imediato”, disse, acrescentando que nesse contexto, a escola tem o importante papel de ensinar esta base de informação sobre os valores que os moçambicanos pretendem promover.

A vice-reitora disse não ser defensora da criação de disciplinas para cada novo assunto, mas, com uma matriz de elementos a abordar, pode-se ir para várias disciplinas e, de forma racional, colocar o tema em alusão, como é o caso da paz.

“Com base nesse meu pressuposto pedagógico, quando se tem algo novo para promover, não é necessário esperar pela criação de uma nova disciplina. Basta criar-se uma grelha com os valores que se pretendem difundir, para que o professor integre essa matéria na sua disciplina de forma consciente”, defende.

Com 30 anos de experiência profissional na área de educação no ensino superior, formação de professores e educação básica, que inclui o ensino de língua português, Ana Nhampule lembrou que a reconciliação custa dinheiro, emoções e a disposição para sair da zona de conforto.

Por isso, acrescenta Ana Nhampule, toda mudança significa entrar numa nova área, mesmo que seja uma área melhor, mas as pessoas têm medo do novo. “A mudança e a transformação levam muito tempo e, para mim, o maior desafio é sair da zona de conforto. Mais do que o dinheiro, a vontade é crucial para a implementação de mudanças”, acrescentou, ao defender que “Nós somos actores da mudança, somos o sujeito e objecto dessa modificação, portanto, temos que nos transformar.

 

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