Reconstrução do Hospital Central da Beira reanima vida dos utentes

Horácio João

A conclusão das obras de reconstrução pós-ciclone tropical Idai que, em Março de 2019, devastou severamente o Hospital Central da Beira já está a produzir impacto positivo, com a melhoria das condições do trabalho do pessoal médico e não só e na assistência de utentes.

A reabilitação proporcionou a melhoria do sistema de abastecimento de água e saneamento, do edifício da Direcção-Geral e permitiu ainda o apetrechamento do Bloco de Neologia.

Com o investimento da organização-não governamental portuguesa, HEALTH4MOZ, o Hospital Central da Beira, com 1020 camas, beneficiou-se ainda de reabilitação do Bloco Operatório, Banco de Sangue, Imagiologia, impermeabilização do Bloco Principal, Berçário, entre outros apartamentos.

Clara Alfredo, utente, disse em entrevista a nossa equipa de reportagem que, para quem viu, por exemplo, o Bloco da Psiquiatria lembra-se de como estava antes da reabilitação, “a infraestrutura já precisava de uma intervenção profunda muito antes da passagem do ciclone tropical Idai”.

Descreveu também que a então acentuada degradação daquele edifício chegava mesmo a criar algum desconforto aos profissionais de saúde e doentes em tratamento naquele sector.

Apontou que os doentes chegavam a pendurar-se ao tecto, devido acentuada destruição, mas agora tudo isso pertence ao passado.

O Paciente Florêncio dos Anjos, também se mostrou otimista, porque, conforme disse, a reabilitação melhorou as condições de trabalho dos profissionais de saúde, mas, acima de tudo, trouxe conforto aos doentes.

A organização Plan Japan investiu um total de 11.249.200,46 meticais para as obras de reabilitação, requalificação e apetrechamento dos Serviços de Psiquiatria e Saúde Mental do Hospital Central da Beira.

O projecto em alusão foi implementado através da Associação Juvenil de Prevenção e Controle às Epidemias (AJUPCE), segundo nos disse o respectivo coordenador, Arlindo Mentira, juntamente com a Peace Wind.

Completamente mobilado e com equipamento da ponta, tal Serviço de Psiquiatria e Saúde Mental do Hospital Central da Beira já se orgulha com o estatuto de referência nacional.

Sentimento semelhante foi partilhado pelos utentes do Bloco de Berçário, que também foi reabilitada e ampliada no âmbito de reconstrução pós-ciclone Idai. “É um local de muita sensibilidade que mesmo antes do Idai já precisava de uma profunda intervenção”, louvou.

Financiado pela organização italiana de apoio ao sector de saúde em África, denominada CUAMM, no valor de 300 mil euros, a entrada em funcionamento daquele Berçário aconteceu depois do apetrechamento na base do equipamento da ponta e mobiliário importado da Europa, sobretudo Portugal.

A organização-não governamental portuguesa, HEALTH4MOZ, investiu um montante de 701.214 euros no apetrechamento do referido berçário, servindo actualmente de referência no país.

Com a conclusão das obras, a capacidade de atendimento daquele berçário duplicou de 32 camas para 64, incluindo as chamadas mães cangurus, que ficam com bebés no berçário, de 10 a 30 dias.

A ampliação do novo espaço compreendeu 187 metros quadrados especialmente para recém-nascidos em cuidados especiais, aumentando as incubadoras de 11 para 15 camas, enquanto no internamento normal aumentou a capacidade de 20 para 30 camas, funcionando ainda os serviços de consultas pós-partos.

Basicamente, o director-geral do Hospital Central da Beira, Nelson Mucopo, indicou que se pretende que depois de sete dias do parto, as mães possam voltar no mesmo recinto a ser atendidas de forma ambulatória para reduzir as mortes neonatais.

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