RSA: O fim da crise energética depende de Moçambique

O fim da pior crise energética, que dura há mais de um ano, na vizinha África do Sul, depende do projecto Hidroeléctrico de Mpanda Nkuwa, que deverá ser a segunda maior hidroeléctrica em Moçambique.

De acordo com o Alto-Comissário da África do Sul em Moçambique, Siphiwe Nyanda, o seu país não tem a mesma capacidade que Moçambique, por isso, pretende fazer parte do projecto Mphanda Nkuwa para resolver a sua crise, num país com mais de 60 milhões de habitantes.

Falando na tarde de ontem, o diplomata sul africano disse que, de acordo com o Ministério da electricidade, calcula-se que os frequentes cortes de energia naquele país só farão parte do passado nos próximos dois anos. “As negociações com Moçambique, para fazermos parte do projecto Mphanda Nkuwa, estão num estágio muito avançado”, acrescentou Nyanda.

Os cortes de energia, que chegam a durar dez horas por dia, agravam uma crise económica que já estava a ser exacerbada pelos elevados níveis de corrupção na classe política sul africana.

Em Maio deste ano, a crise forçou o governo sul africano a lançar o Comité de Crise Energética, enquanto as empresas de telecomunicações esforçam-se por manter as redes a funcionar.

A Estatal Elétrica Eskom implementou interrupções programadas de eletricidade todos os dias deste ano, com a maioria das residências e empresas sem energia 10 horas por dia. Esta principal empresa de electricidade da África do Sul, tem uma dívida de 25 mil milhões de dólares, infraestruturas obsoletas e centrais eléctricas avariadas, entre acusações de sabotagem, o que conduziu o país à pior crise da sua história.

O país tem um défice de 6000 megawatts (MW) e pretende explorar todas as opções que estejam ao alcance de Moçambique, disse Maropene Ramokgopa, ministra sul-africana da Presidência para o Planeamento.

Citada num comunicado de imprensa, em Maio deste ano, a ministra disse, “Cada megawatt que estiver disponível terá uma contribuição importante para reduzir o défice que tem afectado o nosso país e que tem estado na origem de apagões, afectando seriamente a nossa economia”.

A África do Sul já é o principal comprador da capacidade instalada da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, no centro de Moçambique, maior albufeira produtora da África Austral (2075 MW), num contrato de compra de energia que vai até 2029. Moçambique, têm vastos recursos entre fontes renováveis (solar, hídrico, eólico, biomassa) e de gás natural.

Entre vários projectos em curso, destaca-se o da Central Térmica de Temane, a maior central eléctrica do pós-independência, com uma capacidade de 450 MW a partir de Janeiro de 2025, com recurso às reservas de gás natural de Pande e Temane. Segundo dados do Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME), este projecto irá aumentar para 975 MW a capacidade instalada de 2014 a 2024 e, tendo em conta o aumento da demanda em 260 MW no mesmo período, Moçambique deverá contar com cerca de 700 MW de excedente, após atender as necessidades internas do país. Fim.

 

 

 

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