O inimigo de Cabo Delgado é o Estado Islâmico e não a pobreza

A deputada do Bloco de Esquerda, em Portugal, Alexandra Vieira alertou sobre as limitações do foco exclusivo numa intervenção armada em Cabo Delgado.

As raízes do conflito armado são complexas, disse a deputada, observando que as dificuldades económicas, fraco apoio do Estado e o esgotamento dos recursos naturais são fatores que alimentam o alto recrutamento interno pelos insurgentes entre a população local.

A deputada falava durante a sessão parlamentar de perguntas ao Ministro dos Negócios Estrangeiros Augusto Santos Silva, a 23 de Julho. “Isso não pode passar em silêncio”, protestou o ministro. Não há dúvida, sublinhou, que se trata de “uma tentativa de penetração em toda a África Austral do fundamentalismo islâmico, ligado ao chamado Estado Islâmico”. Para Santos Silva, não se trata de descontentamento e oposição às ações do governo moçambicano e ao esbanjamento dos recursos naturais em Cabo Delgado.

Augusto Santos Silva foi categórico: “É falso que existam grupos de insurgentes entre a população civil. É um insulto aos movimentos de libertação nacional, que tinham as suas raízes na população civil, que era protegida pela população civil”, disse para quem o que está a acontecer em Cabo Delgado é a oposição, que conta com o apoio da população civil e que se opõe a um governo opressor ou outras designações .

Augusto Santos Silva acrescentou que está bem informado e em contacto estreito com o presidente moçambicano Filipe Nyusi.

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